logotipo do Claro!

 

Os heróis do Brasil

 

Por Camilla Freitas

 

THUMB CLARO!

 

A história do Brasil é cheia de heróis contestados, como Tiradentes, um dentista que fez parte de um movimento de emancipação do País e que, ao mesmo tempo, é quase canonizado por Pedro Américo no quadro Tiradentes Esquartejado, de 1893. O Claro! entrevistou o professor de História do curso Anglo Gianpaolo Dorigo para desvendar as versões históricas desses personagens.

 

DOM PEDRO I

 

giphy dom pedro

 

 

Um herói é aquele que é “capaz de mudar o rumo dos acontecimentos através de seus atos”, e Dom Pedro é/foi visto como tal. O homem que tirou o Brasil da situação de colônia portuguesa tem diversas nuances e vai muito além do maniqueísmo. Marido infiel, pai que abandonou uma criança de cinco anos para governar um reino, entre outros desvios, o que aqui mais se discute sobre tal personagem é seu momento mais célebre: o tal grito do Ipiranga.

O quadro pintado por Pedro Américo mostra um homem imponente, às margens do Ipiranga bravejando “Independência ou morte”. No entanto, há relatos de que tal grito sequer foi pronunciado e que, ao invés de herói de cavalaria, Pedro encontrava-se montado em uma mula e com dores estomacais. Cena nada romântica, não é mesmo?

 

JESUÍTAS

 

Slide3

 

 

Inimigos número 1 dos bandeirantes e “amigos” dos índios, a história desses católicos, conhecidos como Jesuítas, é muito debatida entre historiadores. Sabe-se que, desde 1500, quando os portugueses, por oficial, disseram descobrir uma terra já habitada, hoje chamada de Brasil, um padre esteve com eles, Henrique Coimbra. E depois dele muitos outros. A Companhia de Jesus, como era denominada, fazia parte de uma contra reforma da Igreja Católica que buscava trazer para si novos fiéis, em resposta às Reformas Protestantes. Para isso, esses frades evangelizavam os nativos, fazendo com que suas culturas e crenças fossem vistas como algo alheio à civilização. “Os jesuítas massacravam modos de vida indígena, forçando-os à vida sedentária e ao trabalho regular.”

 

BANDEIRANTES

 

Slide2

 

São Paulo conhece muito bem esses “heróis”. A figura dos bandeirantes é usada como símbolo de identidade do estado. Foram eles os responsáveis por adentrar a mata e fazer não só com que os interiores paulistas fossem abertos à civilização como grande parte do país ainda coberto pela mata. Alguns historiadores, no entanto, discordam da construção heróica dessas figuras. “Os bandeirantes eram cruéis caçadores de indígenas para escravidão, tendo realizados violentas guerras e promovido massacres em aldeamentos indígenas sobretudo na região do Prata. Em época de pouco “serviço”, ainda conseguiam faturar uns trocados caçando escravos negros fugidos e reprimindo quilombos.”

 

TIRADENTES

 

giphy

 

Um dos personagens marcantes da Inconfidência Mineira,  Joaquim José da Silva Xavier teve sua imagem utilizada pelos republicanos como símbolo puramente brasileiro, já que foi morto por participar de um movimento cujo objetivo era romper com Portugal. Além disso, o novo regime instaurado em 1889 buscava legitimar-se e popularizar-se frente a população católica. “O homem barbado, que morre em função de uma ideia e buscando emancipar uma coletividade é referência quase explícita à tradição cristã.”

O que se sabe, no entanto, é que Tiradentes fazia parte de um movimento maior e que, sua morte, mesmo que associada a tal, foi quase canonizada, o que não quer dizer, necessariamente, que estamos frente a história de um herói.

 

PRINCESA ISABEL

 

Slide1

 

Neta de Dom Pedro I e apelidada de “a Redentora”, Princesa Isabel é conhecida na história como a mulher que libertou os escravos no Brasil. Coube a ela, em 13 de maio de 1888, assinar a Lei Áurea, já que seu pai, Dom Pedro II encontrava-se na Europa. Contudo, o professor Gianpaolo comenta que “limitar o complexo processo da superação da escravidão à promulgação de uma lei é falho: a Abolição incluiu uma ampla campanha de opinião pública, na qual a imprensa teve importante papel, a mobilização da população negra e uma complexa articulação política-jurídica de Gabinete. Um processo, certamente, bem mais complicado e menos heroico do que o que resultou na quase “santificação” da boa Princesa porém mais verdadeiro.”

 

O claro! é produzido pelos alunos do 3º ano de graduação em Jornalismo, como parte da disciplina Laboratório de Jornalismo - Suplemento.

Tiragem impressa: 5.000 exemplares

Expediente

Contato

Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443, Bloco A.

Cidade Universitária, São Paulo - SP CEP: 05508-900

Telefone: (11) 3091-4211

clarousp@gmail.com