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Você pode substituir discussão política por memes, por exemplo?

 

Por Guilherme Caetano

 

Os memes, que dominam a internet há muitos anos, adentraram o campo da discussão política. De acordo com a pesquisadora de mídia Lívia Brasil, a primeira grande experiência com conteúdo memético e político foi nas eleições presidenciais dos EUA, em 2008. No Brasil, um pouco mais tarde. Somente em 2014 se notou uma intensa troca de memes de teor político.

 

Nas últimas eleições, ocorridas durante as investigações da operação Lava Jato, é possível destacar alguns exemplos. De um lado, a foto do candidato Dória com um suéter amarrado nos ombros que, coincidentemente, forma o H de Haddad. Do outro, o meme que coloca Lula vestido como Glória Pires para ironizar o fato do ex-presidente declarar que não sabia do esquema de pagamento de propinas desvelado recentemente.

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Os eleitores não foram os únicos a brincarem com esse tipo de referência. A candidatura de Luiza Erundina (PSOL) à Prefeitura de São Paulo teve uso ativo dos memes conhecidos na internet para comunicar suas ideias. Por conta da reforma eleitoral e do curto tempo para propaganda na TV disposto à candidata (apenas dez segundos), aos assessores de sua campanha não restaram alternativas.

 

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Foi então que nasceram memes como “Erundina Bolt” (uma alusão a Usain Bolt e os poucos segundos que a candidata possuía no horário eleitoral) e o “John Travolta Confuso” procurando por Erundina, que foi impedida de participar dos primeiros debates na TV por seu partido não ter representantes suficientes na Câmara. Em ambas as situações, os memes criaram um referencial na cultura popular para endossar críticas à legislação política vigente.

 

“É preciso transformar a política em algo mais próximo à população e o humor é uma excelente chave utilizada faz muito tempo”, afirma Renata Vilela, assessora de comunicação das campanhas de Erundina e também gestora de suas fanpages no Facebook.

 

Apesar de tudo isso, sua utilidade é colocada em xeque por causa de seu principal habitat: o Facebook. Lívia afirma que o site não é a ferramenta mais apropriada para fomentar um debate. Ele possui um sistema de algoritmos que não permite que opiniões contrárias ao usuário cheguem até ele. Além disso, o próprio indivíduo acaba por praticar uma pequena curadoria em sua rede de contatos, selecionando aqueles que pensam igual a ele em detrimento daqueles que pensam diferente.

 

“A internet possibilita a comunicação mais próxima entre as pessoas interessadas em política e as candidaturas em contraposição aos veículos tradicionais. Porém, existem bolhas de informação criadas pelos algoritmos dos maiores sites e redes sociais que fazem com que a distribuição da informação fique comprometida”, afirma Vilela.

 

Livia Brasil comenta que os memes tornam-se apenas uma ferramenta de auto afirmação, não propondo discussões, mas sim ironizando e satirizando a opinião do outro. Vilela concorda: “O grande problema é se manter apenas nisso, criando um clima de Fla-Flu sem mostrar fatos e argumentos, o que deseduca ao invés de politizar os grandes debates.”

 

Outros exemplos de memes políticos das eleições de 2016:

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Em campanha, Dória faz careta tomando café e comendo pastel e imagens viralizam na rede

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Os dez segundos disponíveis para a campanha de Erundina foram utilizados com memes desse tipo

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Um dos memes que ironizam a participação de Lula nas investigações da Operação Lava Jato

O claro! é produzido pelos alunos do 3º ano de graduação em Jornalismo, como parte da disciplina Laboratório de Jornalismo - Suplemento.

Tiragem impressa: 5.000 exemplares

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