{"id":1443,"date":"2016-11-03T23:51:05","date_gmt":"2016-11-03T23:51:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.usp.br\/claro\/?p=1443"},"modified":"2016-11-29T23:19:25","modified_gmt":"2016-11-29T23:19:25","slug":"a-internet-e-nossa-comoda-miopia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/2016\/11\/03\/a-internet-e-nossa-comoda-miopia\/","title":{"rendered":"A internet e nossa c\u00f4moda miopia"},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 parou para pensar que o seu mundo virtual pode ser completamente diferente daquele das pessoas com quem voc\u00ea se relaciona? Mas, infelizmente, isso n\u00e3o se deve apenas \u00e0 po\u00e9tica singularidade com que interpretamos a vida, e sim sobre o que o mundo tem interpretado por n\u00f3s.<\/p>\n<p>\u00c0 primeira vista, o Google e o Facebook se parecem mais ou menos com a sua m\u00e3e. Isto \u00e9, por meio de t\u00e9cnicas avan\u00e7adas de monitoramento, sabem bem o que voc\u00ea fala, o que mais gosta, o que mais detesta, por onde anda e com quem. Mas, diferentemente dela \u2500- que tem \u00f3timas inten\u00e7\u00f5es, e cujas t\u00e9cnicas de rastreamento j\u00e1 foram, a essa altura, desvendadas e burladas por voc\u00ea \u2500, as empresas da internet que utilizam algoritmos mant\u00eam parte de seus mecanismos em sigilo. Isso quer dizer que n\u00e3o sabemos com precis\u00e3o at\u00e9 onde vai e como funciona o monitoramento.<\/p>\n<p>J\u00e1 se sabe, por\u00e9m, que a partir dos dados que o usu\u00e1rio fornece, o sistema algor\u00edtmico cria uma esp\u00e9cie de filtragem no conte\u00fado exibido, para que voc\u00ea s\u00f3 veja o que quer ver, ou o que o Google acha que voc\u00ea quer ver.<br \/>\nIronicamente, estar conectado hoje significa, em certo aspecto, isolar-se. Para que Mark Zuckerberg apresente no feed de not\u00edcias apenas o que cada um supostamente considera relevante, ele precisa esconder todo o resto. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa, portanto, que o feed parece concordar sempre com suas postagens, e que aquele tio, de quem voc\u00ea discorda veementemente e com quem brigou no \u00faltimo Natal, \u00e9 presen\u00e7a cada vez mais rara nas suas redes sociais. A internet vira uma esp\u00e9cie de repeti\u00e7\u00e3o personalizada da maneira como cada um se comporta.<br \/>\nEm escala global, \u00e9 poss\u00edvel ter uma dimens\u00e3o do fen\u00f4meno algor\u00edtmico: a rede social filtra e personaliza o conte\u00fado recebido por mais de 1,5 bilh\u00e3o de pessoas. Mais de um quinto do mundo est\u00e1 sujeito a essa \u201ccuradoria\u201d de dados da empresa. Isso sem pensar em todas as  pesquisas feitas no Google, nos usu\u00e1rios das demais redes sociais, enfim, em todos os que acessam a internet, e que sob algum aspecto tamb\u00e9m s\u00e3o \u2018ilhados\u2019 pela filtragem de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Vamos, aos poucos, nos tornando mais intolerantes com o diferente, perdendo a capacidade de argumentar, debater, ser desafiados por uma informa\u00e7\u00e3o. E como, por enquanto, os termos de uso das redes sociais n\u00e3o s\u00e3o negoci\u00e1veis, nossa sina provis\u00f3ria \u00e9 aceitar essa filtragem feita pelos donos da internet. O que se pode fazer \u00e9 pensar criticamente o uso dessas ferramentas, os dados que fornecemos, e, sobretudo, realizar um esfor\u00e7o para apreender cada vez mais informa\u00e7\u00f5es que nos provoquem, desloquem, nos fa\u00e7am pensar. Ent\u00e3o a\u00ed vai uma dica para refletir na pr\u00f3xima festa em fam\u00edlia: ser\u00e1 que o tal tio, de quem voc\u00ea diverge veementemente, \u00e9 t\u00e3o insuport\u00e1vel assim? Ou ser\u00e1 que o seu problema com ele tem a ver com a sua (e a dele) dificuldade em cal\u00e7ar os sapatos \u2500 ou usar os algoritmos \u2500 de outra pessoa? <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 parou para pensar que o seu mundo virtual pode ser completamente diferente daquele das pessoas com quem voc\u00ea se relaciona? Mas, infelizmente, isso n\u00e3o se deve apenas \u00e0 po\u00e9tica singularidade com que interpretamos a vida, e sim sobre o que o mundo tem interpretado por n\u00f3s. \u00c0 primeira vista, o Google e o Facebook [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":123,"featured_media":1445,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[205],"tags":[373,347,85,374],"class_list":["post-1443","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-claro","tag-algoritmo","tag-fenomenos","tag-midia","tag-rede-social"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1443","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/123"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1443"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1443\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1446,"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1443\/revisions\/1446"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1445"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1443"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1443"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1443"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}