{"id":1474,"date":"2016-11-30T00:12:02","date_gmt":"2016-11-30T00:12:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.usp.br\/claro\/?p=1474"},"modified":"2017-04-03T15:52:43","modified_gmt":"2017-04-03T15:52:43","slug":"o-poder-do-faz-de-conta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/2016\/11\/30\/o-poder-do-faz-de-conta\/","title":{"rendered":"O poder do faz-de-conta"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Contar e ouvir hist\u00f3rias s\u00e3o, talvez, as mais antigas e persistentes formas de entretenimento: segundo especialistas em literatura e evolu\u00e7\u00e3o como Brian Boyd e Jonathan Gottschall, os homens primitivos j\u00e1 adotavam essa pr\u00e1tica. Com isso, al\u00e9m de ocupar o tempo, buscavam organizar a realidade, dar sentido a ela e aproximar toda a comunidade. De quebra, aprendiam sobre a vida e passavam esses conhecimentos adiante. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que assistimos s\u00e9ries para nos distrair ou tentamos transmitir algo a nossos amigos atrav\u00e9s de text\u00f5es no <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Facebook<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Isso faz parte de n\u00f3s.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De l\u00e1 para c\u00e1, a capacidade humana de contar hist\u00f3rias foi desenvolvida de maneira tal que conseguimos criar mundos alternativos (e muito complexos) atrav\u00e9s delas. Para os fil\u00f3sofos Peter Lamarque e Sloan H. Olsen, autores de \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Truth, Fiction and Literature<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d, a fic\u00e7\u00e3o n\u00e3o exige nenhum compromisso com a realidade: bastam alguns elementos para tornar a hist\u00f3ria minimamente cr\u00edvel, e um enredo que deixe claro como aquele mundo criado funciona, e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">voil\u00e1<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, tudo se torna poss\u00edvel, e n\u00f3s acreditamos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em sua tese de doutorado, \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">O poder do irreal: um estudo sobre o potencial cognitivo da fic\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d, o pesquisador mineiro Jos\u00e9 Costa J\u00fanior ainda refor\u00e7a que somos capazes de aprender com as fic\u00e7\u00f5es. \u201cA narrativa nos proporciona uma quase-experi\u00eancia. Atrav\u00e9s dela temos viv\u00eancias de algum modo parecidas com aquelas que humanos t\u00eam, e isso gera aprendizado\u201d, conta. Em outras palavras, ao assistir um filme que se passa na d\u00e9cada de 1920, por exemplo, somos transportados \u00e0 aquela \u00e9poca, observamos como as pessoas se comportam. E assim aprendemos sobre aquele per\u00edodo, mesmo sem nunca ter vivido nele.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um dos roteiristas e diretores da s\u00e9rie <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c3%\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, com estreia na Netflix em novembro, Jo\u00e3o Henrique Crema acredita que a fic\u00e7\u00e3o pode ser uma fuga da realidade, mas tamb\u00e9m uma forma de compreend\u00ea-la melhor, em toda sua complexidade. A s\u00e9rie se passa num futuro dist\u00f3pico no qual o planeta est\u00e1 devastado e dividido, e somente 3% consegue passar por um teste e chegar na parte do mundo onde ainda h\u00e1 prosperidade. \u201c\u00c9 uma met\u00e1fora para as sele\u00e7\u00f5es que enfrentamos ao longo da vida. Atrav\u00e9s dessa possibilidade ruim de mundo, a gente pensa sobre o nosso pr\u00f3prio e para onde a gente est\u00e1 caminhando.\u201d, diz Crema. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Contar e ouvir hist\u00f3rias s\u00e3o, talvez, as mais antigas e persistentes formas de entretenimento: segundo especialistas em literatura e evolu\u00e7\u00e3o como Brian Boyd e Jonathan Gottschall, os homens primitivos j\u00e1 adotavam essa pr\u00e1tica. Com isso, al\u00e9m de ocupar o tempo, buscavam organizar a realidade, dar sentido a ela e aproximar toda a comunidade. 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