{"id":1636,"date":"2017-05-03T16:19:30","date_gmt":"2017-05-03T16:19:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.usp.br\/claro\/?p=1636"},"modified":"2017-06-27T12:03:36","modified_gmt":"2017-06-27T12:03:36","slug":"corpos-do-oficio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/2017\/05\/03\/corpos-do-oficio\/","title":{"rendered":"Corpos do of\u00edcio"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">O direito ao livre exerc\u00edcio de qualquer trabalho, of\u00edcio e profiss\u00e3o \u00e9 uma garantia prevista no artigo 5\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o Federal. Apesar disso, a prostitui\u00e7\u00e3o, considerada a profiss\u00e3o mais antiga do mundo, \u00e9 alvo de um extenso debate que, para al\u00e9m das quest\u00f5es moralistas, discute tamb\u00e9m a pr\u00e1tica da atividade \u2014 incluindo sua regulamenta\u00e7\u00e3o \u2014 e suas implica\u00e7\u00f5es sociais. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A prostitui\u00e7\u00e3o \u00e9 reconhecida como uma ocupa\u00e7\u00e3o profissional pelo Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego (MTE) desde 2002, mas n\u00e3o \u00e9 regulamentada. Tal reconhecimento serve para fins de classifica\u00e7\u00e3o do MTE, mas n\u00e3o outorga nenhum direito trabalhista.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2012, o deputado federal Jean Wyllys (PSOL) resgatou um projeto de lei que regulamenta a prostitui\u00e7\u00e3o. Chamado de PL Gabriela Leite, em homenagem \u00e0 prostituta e ativista falecida em 2013, o documento gerou uma discuss\u00e3o com diversas opini\u00f5es acerca do tema, inclusive entre as pr\u00f3prias prostitutas, mostrando que a quest\u00e3o est\u00e1 longe de ser un\u00e2nime. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para analisar essas opini\u00f5es, o Claro! conversou com a advogada Camila Sposito, integrante da rede de juristas feministas DeFEMde, e com o Comit\u00ea pela Aboli\u00e7\u00e3o da Prostitui\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o que defende a perspectiva abolicionista, isto \u00e9, contr\u00e1ria \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da prostitui\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Camila afirma que, com a falta de regulamenta\u00e7\u00e3o, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">as prostitutas ficam sujeitas a p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho. \u201cPela aus\u00eancia de fiscaliza\u00e7\u00e3o, devido \u00e0 inexist\u00eancia de leis regulamentadoras prevendo jornada de trabalho digna e compat\u00edvel, condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias m\u00ednimas e adicional de periculosidade, elas t\u00eam que aceitar turnos ininterruptos e sal\u00e1rios aviltantes\u201d, afirma a advogada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na concep\u00e7\u00e3o abolicionista, no entanto, devem ser criados programas de aux\u00edlio \u00e0 sa\u00edda <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">de mulheres da prostitui\u00e7\u00e3o. \u201cEntendemos que a legisla\u00e7\u00e3o deve apoiar a emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres em vez de colaborar para a manuten\u00e7\u00e3o da estrutura que lhes escraviza\u201d, explica o Comit\u00ea. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo os abolicionistas, o sistema prostituinte \u00e9 visto como <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">resultado do poder estrutural dos homens sobre as mulheres, e, portanto, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 conceder possibilidades reais \u00e0s prostitutas de deixar a prostitui\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Camila tamb\u00e9m aponta as atividades<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> il\u00edcitas ligadas \u00e0 informalidade dos prost\u00edbulos, como sonega\u00e7\u00e3o de impostos, corrup\u00e7\u00e3o de agentes p\u00fablicos e associa\u00e7\u00e3o com narcotraficantes. \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Essa informalidade sujeita as trabalhadoras aos cafet\u00f5es, uma vez que eles fornecem a estrutura que sustenta o neg\u00f3cio: a propina para o policial, a seguran\u00e7a, entre outros\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Comit\u00ea, por sua vez, defende a penaliza\u00e7\u00e3o de clientes e intermedi\u00e1rios \u2014 cafet\u00f5es e traficantes \u2014, mas \u00e9 contr\u00e1rio a qualquer medida punitiva \u00e0s pessoas em situa\u00e7\u00e3o de prostitui\u00e7\u00e3o. \u201cUm tratamento digno \u00e0s pessoas prostitu\u00eddas s\u00f3 pode existir dentro de um modelo que combata a prostitui\u00e7\u00e3o focado em penaliza\u00e7\u00e3o de compradores de sexo, descriminaliza\u00e7\u00e3o das pessoas prostitu\u00eddas e promo\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que possibilitem a sa\u00edda da prostitui\u00e7\u00e3o\u201d.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O direito ao livre exerc\u00edcio de qualquer trabalho, of\u00edcio e profiss\u00e3o \u00e9 uma garantia prevista no artigo 5\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o Federal. 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