{"id":1686,"date":"2017-06-08T12:50:49","date_gmt":"2017-06-08T12:50:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.usp.br\/claro\/?p=1686"},"modified":"2017-07-04T12:44:14","modified_gmt":"2017-07-04T12:44:14","slug":"teve-um-deja-vu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/2017\/06\/08\/teve-um-deja-vu\/","title":{"rendered":"Teve um D\u00e9j\u00e0 Vu?"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o mundial relatam terem experienciado a sensa\u00e7\u00e3o de \u201cj\u00e1 ter vivido certa situa\u00e7\u00e3o antes\u201d. Alguns estudos chegam at\u00e9 mesmo a mencionar casos de indiv\u00edduos que se recusam a ler jornais ou assistir \u00e0 TV, por sentirem D\u00e9j\u00e0 Vu constantes. Mas a ci\u00eancia ainda tenta conseguir uma resposta definitiva sobre o fen\u00f4meno.<\/span><\/p>\n<p>De acordo com a psicologia, a consci\u00eancia tende a organizar o que \u00e9 \u201cnovo\u201d segundo percep\u00e7\u00f5es j\u00e1 conhecidas, sejam elas de lugares, pessoas, etc. De acordo com a psicanalista Chu Cavalcantti, em alguns casos, as determina\u00e7\u00f5es de nosso inconsciente podem privilegiar certos est\u00edmulos a outros, remetendo-nos a um \u201cfora do tempo\u201d, no qual nos sentimos observadores de nossa pr\u00f3pria experi\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cO D\u00e9j\u00e0 Vu acontece quando a mente est\u00e1 \u2018gasta\u2019, cansada, e pode receber as percep\u00e7\u00f5es f\u00edsicas antes de receb\u00ea-las na consci\u00eancia,\u201d afirma Cavalcantti. \u201cAcontece um primeiro registro na \u00e1rea das percep\u00e7\u00f5es e depois de novo, na consci\u00eancia. Parecem dois momentos pelo cansa\u00e7o mental.\u201d<\/p>\n<p>Essa explica\u00e7\u00e3o se aproxima de uma variedade de estudos da neurofisiologia. O mais recente deles, publicado na Confer\u00eancia Internacional de Mem\u00f3ria do ano passado*, usou de resson\u00e2ncias magn\u00e9ticas em pacientes induzidos a experi\u00eancias pr\u00f3ximas ao D\u00e9j\u00e0 Vu e revelou que as \u00e1reas cerebrais mais ativadas foram, ao inv\u00e9s das dedicadas \u00e0 mem\u00f3ria, as partes relacionadas \u00e0 tomada de decis\u00f5es. Isso corrobora com a tese de que o D\u00e9j\u00e0 Vu seria um mecanismo de checagem, que nosso c\u00e9rebro usa para comprovar se est\u00e1 armazenando informa\u00e7\u00f5es corretamente.<\/p>\n<p>Na verdade, ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel definir uma resposta, sendo que a maioria dos estudos n\u00e3o se excluem mutuamente. \u201cGeralmente as pesquisas identificam fatores correlatos,\u201d \u00e9 o que diz Everton de Oliveira Maraldi, pesquisador de psicologia social. \u201cS\u00e3o fatores que ajudam a entender a experi\u00eancia, mas que n\u00e3o s\u00e3o necessariamente sua causa.\u201d<\/p>\n<p>Talvez por isso, muitas pessoas encaram o mist\u00e9rio com um perspectiva de outro \u00e2ngulo. Dentro de uma vis\u00e3o espiritualista universal, Marcello Cotrim v\u00ea o D\u00e9j\u00e0 Vu como um fen\u00f4meno paranormal, provocado por sentimentos profundos de uma percep\u00e7\u00e3o extra-sensorial. \u201cO D\u00e9j\u00e0 Vu ocorre quando entramos em rapport, ou seja, sintonia energ\u00e9tica, com elementos j\u00e1 conhecidos por n\u00f3s, por\u00e9m em situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o pertencem \u00e0 atual vida f\u00edsica,\u201d afirma.<\/p>\n<p>E segundo Cotrim, isto poderia acontecer tanto pela rememora\u00e7\u00e3o de outras encarna\u00e7\u00f5es, como por lembran\u00e7as de experi\u00eancias fora do corpo, as viagens astrais. \u201cN\u00f3s vivenciamos experi\u00eancias em um plano extraf\u00edsico que depois, aqui no mundo material, podem se repetir, causando a sensa\u00e7\u00e3o de reconhecimento.\u201d<\/p>\n<p>Quanto ao seu significado, Maraldi pondera que \u201ctalvez a import\u00e2ncia dada ao fen\u00f4meno seja menos relacionada ao evento em si, do que \u00e0 atribui\u00e7\u00e3o do sujeito\u201d. Seja ela psicol\u00f3gica, pessoal ou espiritual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fontes: Regina C\u00e9lia Chu Cavalcanti de Carvalho, psicanalista e professora de psicologia da PUC S\u00e3o Paulo; Everton de Oliveira Maraldi, doutor em psicologia e pesquisador em psicologia social pela USP, e Marcello Cotrim, terapeuta hol\u00edstico, metaf\u00edsico, projeci\u00f3logo, espiritualista e apresentador do programa Entrevidas na R\u00e1dio Mundial FM.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">*Estudo consultado: \u201cInvestigating the role of assessment method on reports of d\u00e9j\u00e0 vu and tip-of-the-tongue states during standard recognition tests,\u201d publicado por Akira O\u2019Connor, da Universidade de St. Andrews, Esc\u00f3cia; <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o mundial relatam terem experienciado a sensa\u00e7\u00e3o de \u201cj\u00e1 ter vivido certa situa\u00e7\u00e3o antes\u201d. 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