{"id":1697,"date":"2017-06-14T11:15:23","date_gmt":"2017-06-14T11:15:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.usp.br\/claro\/?p=1697"},"modified":"2017-07-04T12:43:50","modified_gmt":"2017-07-04T12:43:50","slug":"olha-mae-e-o-batman","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/2017\/06\/14\/olha-mae-e-o-batman\/","title":{"rendered":"\u201cOlha, m\u00e3e, \u00e9 o Batman!\u201d"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">A festa no buffet come\u00e7aria dali a duas horas, mas eu j\u00e1 tinha o capuz sobre meus cabelos, uma cesta de doces em minhas m\u00e3os e certa dose de ansiedade correndo em minhas veias. \u00c9 que eu amava ser a Chapeuzinho Vermelho, embora n\u00e3o soubesse se por causa do meu amor pelo conto ou pelo al\u00edvio de n\u00e3o ter que repetir a fantasia de Elsa, aquela do Frozen, pela mil\u00e9sima vez no mesmo m\u00eas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mulher Maravilha, Homem Aranha, Em\u00edlia, Peter Pan, Princesa Leia: n\u00e3o \u00e9 exagero quando digo que j\u00e1 fui de tudo nessa vida. Mas, no final das contas, n\u00e3o era a fantasia em si \u2014 fosse ela nova ou repetida \u2014 o que mais importava para mim. De cada festa, o que ficava era o carinho pelos olhares cintilantes vindos em minha dire\u00e7\u00e3o e por cada sorriso arrancado de uma crian\u00e7a. A do\u00e7ura delas em acreditar estar cara a cara com seu personagem favorito me encantava. \u00c9 como se a cada \u201colha, m\u00e3e, \u00e9 o Batman!!!\u201d eu soubesse como \u00e9 estar diante daquele super-her\u00f3i que marcou a minha inf\u00e2ncia. Era m\u00e1gico. O poder da imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 realmente uma d\u00e1diva. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas \u00e9 claro que nem tudo s\u00e3o flores. As fantasias, invariavelmente apertadas, incomodavam tanto quanto a necessidade de estar impec\u00e1vel mesmo sob prova do suor que insistia em escorrer at\u00e9 nos dias mais frios. E os pequenos, apesar de fofos, j\u00e1 me colocaram em cada saia justa&#8230; uma vez, quando me vesti de Palha\u00e7o Bananinha, inventaram de puxar minhas cal\u00e7as na tentativa de descobrir minha identidade. Sorte a minha que, por baixo da cal\u00e7a, havia uma ceroula com um cora\u00e7\u00e3o enorme costurado no bumbum. At\u00e9 a\u00ed, ok, foi mais divertido do que constrangedor; complicado mesmo foi quando umas crian\u00e7as mais velhas contaram para as mais novas \u2014 e inclua entre as v\u00edtimas tamb\u00e9m o aniversariante \u2014 que eu n\u00e3o era a personagem de verdade. Elas at\u00e9 choraram! <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar dos perrengues, era na possibilidade de se transportar prum outro mundo que eu encontrava a certeza de estar fazendo algo gratificante, que valia \u00e0 pena. Ao trabalhar fantasiados, nos reportamos a um universo diferente da vida cotidiana, onde podemos incorporar outros \u201calgu\u00e9ns\u201d e ser parte do mundo imagin\u00e1rio de uma crian\u00e7a. Talvez por isso a experi\u00eancia de v\u00ea-las vindo em minha dire\u00e7\u00e3o, bestificadas, querendo um abra\u00e7o ou uma foto, seja, para mim, algo que n\u00e3o se explique ou se compre.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Vendo essa foto da minha \u00faltima recrea\u00e7\u00e3o, no dia em que fui Chapeuzinho, bate uma nostalgia e um bocado de saudade, mas isso tudo ficou para tr\u00e1s. Hoje, eu at\u00e9 que gosto de trabalhar com contabilidade, mas a divers\u00e3o n\u00e3o \u00e9 algo que ainda fa\u00e7a parte da minha rotina. Fazer o que, um dia todos temos que crescer (ao menos, \u00e9 o que dizem por a\u00ed).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>*Texto baseado nos depoimentos de Fernando Caruso, N\u00fabia Soares, Tryssia Siqueira e Mariana Prado<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A festa no buffet come\u00e7aria dali a duas horas, mas eu j\u00e1 tinha o capuz sobre meus cabelos, uma cesta de doces em minhas m\u00e3os e certa dose de ansiedade correndo em minhas veias. \u00c9 que eu amava ser a Chapeuzinho Vermelho, embora n\u00e3o soubesse se por causa do meu amor pelo conto ou pelo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":152,"featured_media":1726,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[205,1],"tags":[],"class_list":["post-1697","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-claro","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1697","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/152"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1697"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1697\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1698,"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1697\/revisions\/1698"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1726"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1697"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1697"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1697"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}