{"id":1835,"date":"2017-08-24T02:35:17","date_gmt":"2017-08-24T02:35:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.usp.br\/claro\/?p=1835"},"modified":"2017-10-10T20:04:55","modified_gmt":"2017-10-10T20:04:55","slug":"parar-no-tempo-e-cientifico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/2017\/08\/24\/parar-no-tempo-e-cientifico\/","title":{"rendered":"\u201cParar no tempo\u201d \u00e9 cient\u00edfico"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAcredito que eu teria um sentimento maior quanto ao tempo distante que n\u00e3o tive com a fam\u00edlia\u201d. \u00c9 assim que o astronauta brasileiro Marcos Pontes se imagina na pele de Cooper, protagonista do filme Interestelar (2014). No longa, o astronauta pousa em um mundo pr\u00f3ximo a Gargantua, um buraco negro em que, para cada hora gasta, sete anos se passam na Terra. O princ\u00edpio pode parecer fic\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 ci\u00eancia: conhecido como Teoria da Relatividade Geral, o conceito foi criado por Albert Einstein e considerado a maior descoberta do s\u00e9culo 20.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO cientista lan\u00e7ou uma s\u00e9rie de estudos entre 1905 e 1915 e desmontou a ideia de que o tempo se comporta de maneira uniforme em todos os pontos do universo\u201d, conta o diretor do Instituto de F\u00edsica da USP, Marcos Martins. Segundo ele, Einstein introduziu que o espa\u00e7o e o tempo formam, na verdade, a mesma coisa: o espa\u00e7o-tempo. Quanto mais intenso \u00e9 o campo gravitacional \u2014 como \u00e9 o caso dos buracos negros \u2014, maior a deforma\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o-tempo, capaz de fazer com que os rel\u00f3gios nestas regi\u00f5es andem mais devagar do que aqueles com menor influ\u00eancia da gravidade.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para chegar a esse resultado, Einstein observou o fato da velocidade (V) depender do espa\u00e7o (S) dividido por tempo (t). Para que a velocidade da luz fosse constante em qualquer referencial, era preciso modificar os outros dois fatores. \u201cO tempo \u00e9 uma coisa muito enraizada na nossa cultura. Sentimos o tempo passando da mesma forma, sabemos que nossos ancestrais tamb\u00e9m&#8230; Mas Einstein sentiu que o tempo devia participar dessa mudan\u00e7a e n\u00e3o se deixou prender por pr\u00e9-conceitos\u201d, comenta Martins.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quem quiser viver a experi\u00eancia de Interestelar, entretanto, ter\u00e1 que enfrentar no m\u00ednimo tr\u00eas mil anos-luz at\u00e9 o buraco negro mais pr\u00f3ximo da Terra. O V616 Monocerotis fica na Constela\u00e7\u00e3o de Unic\u00f3rnio e n\u00e3o produz uma dilata\u00e7\u00e3o do tempo t\u00e3o intensa quanto a do filme: enquanto Gargantua possui 100 milh\u00f5es de vezes a massa do Sol, o V616 Mon tem cerca de nove, o que torna seu campo gravitacional muito menos intenso. Mas como diz Cooper, \u201cn\u00f3s sempre nos definimos pela habilidade de superar o imposs\u00edvel\u201d.<\/span><\/p>\n<p><strong><br \/>\n<b>Fontes: <\/b><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-weight: 400;\">Marcos Pontes, primeiro astronauta brasileiro a ir para o espa\u00e7o; Marcos Martins, professor do Departamento de F\u00edsica Experimental e diretor do Instituto de F\u00edsica da USP; Airton Deppman, professor do Departamento de F\u00edsica Experimental da USP; Alexandre Suaide, professor do Departamento de F\u00edsica Nuclear da USP; Elcio Abdalla, professor do Departamento de F\u00edsica-Matem\u00e1tica da USP; e Beatriz de Brito, medalhista de bronze na 8\u00aa Olimp\u00edada Latino-Americana de Astronomia e Astron\u00e1utica.<\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cAcredito que eu teria um sentimento maior quanto ao tempo distante que n\u00e3o tive com a fam\u00edlia\u201d. \u00c9 assim que o astronauta brasileiro Marcos Pontes se imagina na pele de Cooper, protagonista do filme Interestelar (2014). 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