{"id":2579,"date":"2018-07-26T23:07:36","date_gmt":"2018-07-26T23:07:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.usp.br\/claro\/?p=2579"},"modified":"2018-08-29T22:35:02","modified_gmt":"2018-08-29T22:35:02","slug":"o-luto-e-sua-luta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/2018\/07\/26\/o-luto-e-sua-luta\/","title":{"rendered":"O luto e sua luta"},"content":{"rendered":"<p>\n\t\t<style>\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 33%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-2579 gallery-columns-3 gallery-size-medium'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/2018\/07\/26\/o-luto-e-sua-luta\/retrato-3\/'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"427\" src=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Retrato-3-640x427.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Retrato-3-640x427.jpg 640w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Retrato-3-1200x800.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/2018\/07\/26\/o-luto-e-sua-luta\/retrato-6\/'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"427\" src=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Retrato-6-640x427.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Retrato-6-640x427.jpg 640w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Retrato-6-1200x800.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/2018\/07\/26\/o-luto-e-sua-luta\/retrato9\/'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"427\" src=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Retrato9-640x427.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Retrato9-640x427.jpg 640w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Retrato9-1200x800.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><br style=\"clear: both\" \/>\n\t\t<\/div>\n<br \/>\n<a><br \/>\n\u201cO luto \u00e9 o per\u00edodo em que aprendemos a lidar com uma nova vis\u00e3o das nossas vidas\u201d.<br \/>\n<\/a><a><br \/>\n\u00c9 sobre processar a dor. Sempre que houver uma perda significativa e for preciso reaprender a viver sem isso haver\u00e1 luto. Vem depois de qualquer morte: ente querido, amigo, relacionamento, ou at\u00e9 os tra\u00e7os originais do pr\u00f3prio rosto. Perder casa, p\u00e1tria, fam\u00edlia -, como no caso dos refugiados -, tamb\u00e9m gera luto. Acontece quando a presen\u00e7a vira aus\u00eancia. Mas a coisa perdida est\u00e1 sempre l\u00e1, porque existiu.<br \/>\n<\/a><a><br \/>\nEssa dor tem fases. Kubler-Ross, John Bowlby, Parkes, diversos estudiosos se dedicaram a elencar e descrever essas etapas. Alguns afirmam que s\u00e3o 4, outros 5. Mas, se h\u00e1 um consenso, \u00e9 o de que elas n\u00e3o s\u00e3o lineares. N\u00e3o tem \u201cordem correta\u201d para acontecer. E nem dura\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<\/a><a><br \/>\nA B\u00e1rbara passou por todas as fases. Autora da cita\u00e7\u00e3o que abriu esse texto, com apenas 20 anos, conheceu o luto ap\u00f3s perder um pai abruptamente. Do nada. Biologicamente, era tido como tio, mas ajudou a cri\u00e1-la desde pequena. Um pai. Ela nunca recebeu a not\u00edcia. Ningu\u00e9m pronunciou \u201cele morreu\u201d para ela. \u201cEu simplesmente vivi esse fato com a dor, com as l\u00e1grimas, com os gritos dos meus familiares. Acredito que nem exista no dicion\u00e1rio alguma palavra que possa colocar em letras o sentimento mais avassalador da alma humana\u201d.<br \/>\n<\/a><a><br \/>\nEsse desconsolo inicial faz parte do que, geralmente, \u00e9 a primeira etapa do luto. Descren\u00e7a. Nega\u00e7\u00e3o, choque. Alguns continuam automaticamente a viver, como se nada tivesse acontecido. Outros se escondem no seu pr\u00f3prio buraco, como a B\u00e1rbara.<br \/>\n<\/a><a><br \/>\nEla j\u00e1 havia perdido outros parentes antes. A madrinha, o bisav\u00f4, os av\u00f3s paternos. Sofreu. Mas n\u00e3o havia sentido verdadeiramente a dor do luto. E a resposta est\u00e1 no v\u00ednculo. Bowlby chama de \u201cTeoria do apego\u201d. Est\u00e1 fielmente ligado a Darwin. Pode soar cient\u00edfico demais para algo puramente social, mas n\u00e3o h\u00e1 porque negar as caracter\u00edsticas evolutivas do ser humano. Assim como diz a teoria: pessoas se apegam instintivamente a quem cuide delas, com a finalidade de sobreviver, incluindo o desenvolvimento f\u00edsico, social e emocional. Todos eram da fam\u00edlia, mas o v\u00ednculo com o pai era incontestavelmente maior.<br \/>\n<\/a><a><br \/>\nDepois da descren\u00e7a, pode vir a raiva. Explos\u00f5es de raiva e tristeza. \u201cPor que comigo?\u201d. Da\u00ed come\u00e7a o anseio e a busca pelo que est\u00e1 perdido. H\u00e1 quem pe\u00e7a ao universo e as suas leis para que aquilo n\u00e3o seja verdade. A pessoa fica d\u00f3cil, acha que, se se comportar bem, tudo vai voltar ao normal. O sofrimento psicol\u00f3gico \u00e9 gigantesco. \u00c0s vezes, o enlutado chega a interpretar sons, cheiros, como sinais do morto. Mas a lucidez pode fazer a raiva voltar para alguns. Enquanto, para outros, a import\u00e2ncia \u00e9 internalizada, abrindo espa\u00e7o para problemas al\u00e9m da carne.<br \/>\n<\/a><a><br \/>\nO luto em si n\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a. N\u00e3o existe luto patol\u00f3gico. Quando ele se agrava e pode vir a causar enfermidades, \u00e9 chamado de luto complicado. Mas h\u00e1 de se reconhecer a irreversibilidade da perda. N\u00e3o vem a um pre\u00e7o pequeno. Choro. Depress\u00e3o. Apatia. Dor. H\u00e1 quem se isole. Evite pessoas, n\u00e3o volta \u00e0 vida normal. Falta sono, fome, vontade de viver. A impot\u00eancia \u00e9 esmagadora. S\u00f3 depois que o buraco est\u00e1 muito fundo, que, talvez, haja uma luz.<br \/>\n<\/a><a><br \/>\n\u201cA luz que me cegou, me fez ver Deus\u201d. B\u00e1rbara precisou de muita ajuda para n\u00e3o se entregar ao luto complicado. Ela tamb\u00e9m achava que nunca perderia algu\u00e9m t\u00e3o pr\u00f3ximo. E foi com o apoio de fam\u00edlia, amigos, psic\u00f3logo e psiquiatra que conseguiu seguir em frente: \u201co luto \u00e9 um sinalizador. \u00c9 o ponto de partida de um longo processo, de uma das caminhadas mais dif\u00edceis que tive que trilhar. E que n\u00e3o poderia caminhar sozinha, porque, se tentasse, cairia. Precisei, sim, de muita ajuda\u201d. Alguns, com certeza, j\u00e1 venceriam apenas com isso. Mas B\u00e1rbara se apegou a mais um guia: Jesus.<br \/>\n<\/a><a><br \/>\nPor fim, depois de todo o sofrimento, n\u00e3o vem a bonan\u00e7a. Mas sim a recupera\u00e7\u00e3o. Organiza\u00e7\u00e3o. O luto pode nunca passar, mas o processo de luto sim. A pessoa enlutada vai construindo uma nova identidade. J\u00e1 tem for\u00e7as para seguir em frente, j\u00e1 faz planos para a vida sem aquilo que perdeu. N\u00e3o se trata de superar o luto. A grande quest\u00e3o \u00e9 saber viver com a perda.<br \/>\n<\/a><a><br \/>\n\u201cPara mim, B\u00e1rbara, luto n\u00e3o \u00e9 um per\u00edodo determinado no tempo e no espa\u00e7o em que voc\u00ea ingere aquela grande quantidade de dor. O tempo vai passar e ele n\u00e3o vai deixar s\u00f3 saudades. Ele vai deixar a dor sim. Voc\u00ea vai ter que conviver com circunst\u00e2ncias que aquela pessoa sonhou, construiu, planejou com voc\u00ea. E voc\u00ea vai estar sozinho.\u201d<br \/>\n<\/a><a><br \/>\nO mais importante \u00e9 reconhecer a exist\u00eancia dessa dor. Se h\u00e1 v\u00ednculo, h\u00e1 luto.<br \/>\n<\/a><a><br \/>\n<small><small>Colaboraram:<br \/>\n<strong>Elaine Gomes dos Reis Alves<\/strong>; psic\u00f3loga, psicoterapeuta, p\u00f3s-doutora pelo Instituto de Psicologia da USP e autora do livro \u201cConsidera\u00e7\u00f5es Psicossociais sobre Deformidade Facial\u201d<br \/>\n<strong>Maria Julia Kovacs<\/strong>; p\u00f3s-doutora em psicologia e especialista em luto, professora da disciplina \u201cPsicologia da Morte\u201d, no Instituto de Psicologia da USP<br \/>\n<\/small><\/small><\/a><small><small><a><br \/>\nOutras fontes:<br \/>\nBowlby, J. (1990). Apego e perda, Vol 1. Apego: a natureza do v\u00ednculo.<br \/>\nKubler Ross, E. As fases do Luto.<br \/>\n<\/a><a><br \/>\n<strong>Fotos:<\/strong> Claire Castelano<\/a><\/small><\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO luto \u00e9 o per\u00edodo em que aprendemos a lidar com uma nova vis\u00e3o das nossas vidas\u201d. \u00c9 sobre processar a dor. 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