{"id":2592,"date":"2018-07-26T23:09:46","date_gmt":"2018-07-26T23:09:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.usp.br\/claro\/?p=2592"},"modified":"2018-08-29T22:33:06","modified_gmt":"2018-08-29T22:33:06","slug":"senciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/2018\/07\/26\/senciencia\/","title":{"rendered":"Sen\u25cfci\u25cf\u00ean\u25cfcia"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2594\" src=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/gif-senciencia-loop.gif\" alt=\"gif-senciencia-loop\" width=\"800\" height=\"600\" \/><br \/>\n<a><br \/>\nA <strong>senci\u00eancia<\/strong> \u00e9 a capacidade de diferenciar as experi\u00eancias ruins das boas. \u00c9 saber evitar as dores e favorecer as alegrias. Ser senciente garante que aprenderemos que o medo de um filme de terror n\u00e3o \u00e9 das melhores experi\u00eancias, e que \u00e9 muito melhor nos deliciarmos com nosso prato favorito. Tamb\u00e9m pela senci\u00eancia, descobriremos a dor da primeira inje\u00e7\u00e3o, e tomaremos mais cuidado ao correr depois de ralarmos o joelho pela primeira vez.<br \/>\n<\/a><a><br \/>\nO termo tem origem do latim sententia que, de acordo com o dicion\u00e1rio Gaffiot, significa \u201cpoder dar sua opini\u00e3o sobre algo\u201d. \u00c9 tamb\u00e9m raiz de palavras como \u201csentir\u201d e \u201copini\u00e3o\u201d. Por lidar com sensa\u00e7\u00f5es, a palavra carrega uma subjetividade que intriga dos linguistas aos bi\u00f3logos. Talvez seja por isso que no Dicion\u00e1rio Aur\u00e9lio n\u00e3o consta o verbete, apenas sua adjetiva\u00e7\u00e3o <strong>senciente<\/strong>: que sente; que tem sensa\u00e7\u00f5es ou impress\u00f5es.<br \/>\n<\/a><a><br \/>\nDe acordo com a m\u00e9dica veterin\u00e1ria e estudiosa do assunto Carla Molento, \u00e9 consenso entre pesquisadores que os seres humanos s\u00e3o sencientes, mas ainda n\u00e3o h\u00e1 uma conclus\u00e3o no que diz respeito aos outros animais. A discuss\u00e3o \u00e9 feita em duas grandes vertentes: a comportamental e a neurol\u00f3gica.<br \/>\n<\/a><a><br \/>\nOs defensores da primeira acreditam que ter a capacidade de aprender j\u00e1 \u00e9 suficiente para caracterizar a senci\u00eancia: h\u00e1 <\/a><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=uypIj_BYzAw\">elefantes que pintam melhor do que muita gente por a\u00ed<\/a><a>, al\u00e9m de um <\/a><a href=\"http:\/\/entretenimento.r7.com\/bichos\/noticias\/conheca-lukas-o-cavalo-mais-inteligente-do-mundo-20120421.html?question=0\">cavalo que provavelmente conseguiria ser aprovado em matem\u00e1tica<\/a><a>. Casos como esses d\u00e3o suporte a essa vertente, explica Carla.<br \/>\n<\/a><a><br \/>\nA mesma l\u00f3gica \u00e9 uma das bases para o veganismo, que prega o respeito com todos os seres considerados sencientes. Hoje, Carla conta que os vertebrados j\u00e1 podem ser inclu\u00eddos nessa categoria, mas ela ainda n\u00e3o possui uma lista definitiva. Por isso, pesquisadores da \u00c9tica Animal como <\/a><a href=\"https:\/\/periodicos.ufsc.br\/index.php\/ethic\/article\/viewFile\/14917\/13584\">Tom Regan<\/a><a> e <\/a><a href=\"https:\/\/books.google.com.br\/books?hl=pt-BR&amp;lr=&amp;id=tNaTfIlMh8wC&amp;oi=fnd&amp;pg=PP1&amp;dq=marc+bekoff+the+challenge+of+animal+sentience&amp;ots=2K9NLQaLE3&amp;sig=MiMPzwy1j2K0fjMv8l1FOsMr5go#v=onepage&amp;q=marc%20bekoff%20the%20challenge%20of%20animal%20sentience&amp;f=false\">Marc Bekoff<\/a><a> preferem dar o benef\u00edcio da d\u00favida, lutando para que os animais recebam tratamentos melhores na pecu\u00e1ria, em testes cient\u00edficos e no lazer.<br \/>\n<\/a><a><br \/>\nNa abordagem neurol\u00f3gica, o buraco \u00e9 mais embaixo. Os seus defensores baseiam-se no sistema nervoso humano, que ainda \u00e9 recheado de mist\u00e9rios. Para eles, o primeiro passo seria compreender como neur\u00f4nios e nervos se conectam para garantir a senci\u00eancia humana &#8211; s\u00f3 ent\u00e3o, seria poss\u00edvel analisar outros animais.<br \/>\n<\/a><a><br \/>\nCarla conta que cada sentimento possui diferentes \u201cpr\u00e9-requisitos\u201d para existir: dor, sede e desconfortos t\u00e9rmicos s\u00e3o sensa\u00e7\u00f5es simples e presentes em todos os vertebrados. As borboletas no est\u00f4mago antes de embarcar em uma montanha-russa, ou a gargalhada que sucede uma piada, s\u00e3o emo\u00e7\u00f5es complexas, e que precisam de mais aparatos neurol\u00f3gicos para existirem.<br \/>\n<\/a><a><br \/>\nAcaba que existem diversas nuances entre o sim e o n\u00e3o para pensar a senci\u00eancia. De qualquer forma, em meio a tantas teorias e discuss\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 espantoso que consigamos enxergar um pouco de n\u00f3s mesmos em seres que nos cercam.<br \/>\n<\/a><a><br \/>\n<strong>Gif:<\/strong> Aline Melo e Mariana Rudzinski<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A senci\u00eancia \u00e9 a capacidade de diferenciar as experi\u00eancias ruins das boas. \u00c9 saber evitar as dores e favorecer as alegrias. Ser senciente garante que aprenderemos que o medo de um filme de terror n\u00e3o \u00e9 das melhores experi\u00eancias, e que \u00e9 muito melhor nos deliciarmos com nosso prato favorito. 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