{"id":3214,"date":"2019-04-30T13:33:57","date_gmt":"2019-04-30T13:33:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.usp.br\/claro\/?p=3214"},"modified":"2019-05-29T11:10:52","modified_gmt":"2019-05-29T11:10:52","slug":"os-elementos-x","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/2019\/04\/30\/os-elementos-x\/","title":{"rendered":"Os elementos X"},"content":{"rendered":"<p><i><span style=\"font-weight: 400;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-3215\" src=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/final-vamo-que-vamo-640x369.png\" alt=\"final-vamo-que-vamo\" width=\"761\" height=\"462\" \/><\/span><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">Aserehe ra de re \/ De hebe tu de hebere seibiunouba mahabi \/ An de bugui an de buididipi\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Reconhece? A m\u00fasica \u201cRagatanga\u201d \u2013 e seu refr\u00e3o \u201cchiclete\u201d \u2013 figurou no topo das mais ouvidas nas r\u00e1dios em 2002 e alavancou o sucesso absoluto e repentino da banda Rouge nacionalmente. Hoje, pode ser que voc\u00ea esteja mais familiarizado com uma can\u00e7\u00e3o que exclama: \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00d4 sol, v\u00ea se n\u00e3o esquece e me ilumina \/ Preciso de voc\u00ea aqui<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d. \u201cO Sol\u201d, 15 anos mais nova, \u00e9 o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">single<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> de maior destaque de Vitor Kley, e estourou tanto que est\u00e1 bem pr\u00f3xima de chegar \u00e0 marca das 100 milh\u00f5es de reprodu\u00e7\u00f5es no Spotify. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Mas por que \u201cO Sol\u201d e \u201cRagatanga\u201d se tornaram um sucesso, e milhares de outras n\u00e3o? <\/span><\/p>\n<p><strong><strong>\u00a0<\/strong><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Rouge e Vitor Kley concretizaram aquilo que \u00e9 a obsess\u00e3o de centenas de artistas: produzir <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">hits<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Pode-se dizer que um <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">hit<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 aquela m\u00fasica que toca bastante nas r\u00e1dios. Ou que tem n\u00fameros expressivos nas redes sociais e nas plataformas de streaming. Que domina as paradas musicais, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">charts<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> como os da Billboard, uma das revistas mais influentes da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica \u2014 ou mesmo tudo isso junto. Por\u00e9m, para Marcos Lauro, ex-editor da Billboard Brasil, o crit\u00e9rio decisivo \u00e9 o retorno popular: \u201cNo fundo, o que vale mesmo \u00e9 a repercuss\u00e3o, o que est\u00e1 na boca do povo\u201d. <\/span><\/p>\n<p><strong><strong>\u00a0<\/strong><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em meio a tantos term\u00f4metros, uma senten\u00e7a \u00e9 verdadeira: \u201cUsar f\u00f3rmulas e ter sucesso n\u00e3o s\u00e3o sin\u00f4nimos\u201d, aponta Marcos. A mesma receita que leva um artista ao pico pode manter outros milhares no anonimato. Quando \u201cO Sol\u201d saiu da gravadora Midas Music para penetrar nos ouvidos dos brasileiros, ela poderia ter o breve e ingrato destino de tantas outras faixas \u2013 e a linha para estourar, \u00e0s vezes, \u00e9 muito t\u00eanue. \u201cA \u2018m\u00e1gica\u2019 ali foi a letra. Quando o Vitor mostrou, a gente percebeu que tinha potencial\u201d, relata Fernando Prado, produtor que acompanhou a grava\u00e7\u00e3o do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">single<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. No final das contas, como diz a letra, \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Quem ficar, ficou \/ quem foi vai, vai, vai\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><strong><strong>\u00a0<\/strong><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, h\u00e1 outra forma de contar essa hist\u00f3ria. Vitor Kley poderia estar ainda entre os an\u00f4nimos se n\u00e3o fosse descoberto pela Midas Music em 2015 \u2013 ou voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar de \u201cCaminhos do Hawaii\u201d, faixa lan\u00e7ada pelo artista seis anos antes? O mercado fonogr\u00e1fico \u00e9 movido a cifras milion\u00e1rias e os hits s\u00e3o potencializados por a\u00e7\u00f5es promocionais, shows, clipes, apari\u00e7\u00f5es na televis\u00e3o e, principalmente, presen\u00e7a no r\u00e1dio. Luciana Andrade, ex-integrante do Rouge, viveu essa realidade na pele e explica: \u201cUm artista acontece porque tem uma grande assessoria, um grande plano de marketing, um grande investimento\u201d. Mas ela garante que nada acontece se voc\u00ea n\u00e3o tiver uma m\u00fasica grandiosa na manga.<\/span><\/p>\n<p><strong><strong>\u00a0<\/strong><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Certos aspectos podem aumentar as chances de uma can\u00e7\u00e3o bombar. Uma das formas mais certeiras de fazer sucesso, segundo Fernando, \u00e9 quando uma faixa se transforma em trilha sonora de momentos do dia a dia: a m\u00fasica para a balada, para dirigir, ficar entre amigos. Gabriel Camargo, membro da gravadora Starge, acrescenta que \u00e9 mais f\u00e1cil estourar com temas que est\u00e3o em alta e que geram uma \u201cidentifica\u00e7\u00e3o massiva\u201d \u2013 amor e relacionamentos s\u00e3o alguns dos mais cl\u00e1ssicos. Por outro lado, segundo um estudo coordenado pela pesquisadora Kelly Jakubowski, da Universidade de Durham, na Inglaterra, m\u00fasicas otimistas e animadas t\u00eam mais chances de ficarem presas em nossas mentes. Parece o caso dos nossos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Aserehes<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00d4 s\u00f3is<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><\/p>\n<p><strong><strong>\u00a0<\/strong><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pelo lado mais t\u00e9cnico, melodias simples e notas repetidas s\u00e3o mais propensas a estourar, explica Gabriel. O comprimento tamb\u00e9m influencia: as m\u00fasicas est\u00e3o cada vez mais curtas e diretas. Marcos explica que, nos anos 80 e 90, havia uma preocupa\u00e7\u00e3o maior com a estrutura tradicional da m\u00fasica: introdu\u00e7\u00e3o, primeira e segunda estrofe e assim por diante. A partir dos anos 2000, muitos dos hits j\u00e1 come\u00e7am pelo refr\u00e3o \u2013 em \u201cRagatanga\u201d, ele d\u00e1 as caras antes dos 40 segundos. Com a internet e suas infinitas ofertas, a tend\u00eancia \u00e9 que isso se acentue. \u201cHoje, se a m\u00fasica n\u00e3o te pega nos primeiros segundos, voc\u00ea muda, porque sabe que existe mais um monte\u201d, revela Luciana. <\/span><\/p>\n<p><strong><strong>\u00a0<\/strong><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No fundo, o surgimento de um hit<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">\u00e9 resultado de uma combina\u00e7\u00e3o entre a express\u00e3o do artista, estrat\u00e9gias de mercado e \u2014 por que n\u00e3o? \u2014 o acaso. Quem n\u00e3o possui recursos para um plano de marketing depende do caminho mais longo: o boca a boca org\u00e2nico. N\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel. As redes e seus artistas virais est\u00e3o a\u00ed para provar. Mas s\u00e3o tantas ofertas que, como lembra Luciana, \u201cvoc\u00ea precisa trabalhar mais para ser visto\u201d. E se for visto e ecoar pelas r\u00e1dios do pa\u00eds, fazendo com que os ouvintes repitam ao vento refr\u00f5es sem sentido algum, \u00e9 sinal que deu certo: um hit foi criado.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; \u201cAserehe ra de re \/ De hebe tu de hebere seibiunouba mahabi \/ An de bugui an de buididipi\u201d. Reconhece? A m\u00fasica \u201cRagatanga\u201d \u2013 e seu refr\u00e3o \u201cchiclete\u201d \u2013 figurou no topo das mais ouvidas nas r\u00e1dios em 2002 e alavancou o sucesso absoluto e repentino da banda Rouge nacionalmente. 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