{"id":332,"date":"2015-09-02T02:26:58","date_gmt":"2015-09-02T02:26:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.usp.br\/claro\/?p=332"},"modified":"2015-10-07T02:25:23","modified_gmt":"2015-10-07T02:25:23","slug":"explorar-tambem-e-preciso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/2015\/09\/02\/explorar-tambem-e-preciso\/","title":{"rendered":"EXPLORAR TAMB\u00c9M \u00c9 PRECISO"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/turismo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-349\" src=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/turismo-640x560.jpg\" alt=\"turismo\" width=\"640\" height=\"560\" srcset=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/turismo-640x560.jpg 640w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/turismo-1200x1050.jpg 1200w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/turismo.jpg 1851w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/embed.spotify.com\/?uri=spotify:track:05iM4XgwyUiXT0cvUmfDvP\" width=\"300\" height=\"80\" frameborder=\"0\" theme=\"light\"  allowtransparency=\"true\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Ser viajante nem sempre envolveu vestir camisa florida e pendurar c\u00e2mera no pesco\u00e7o.<\/strong> Alguns s\u00e9culos atr\u00e1s, os lusitanos sa\u00edram por a\u00ed em uns barcos gigantes de madeira, muitos sem nem saber escrever sobre o que encontrariam pelo caminho. E antes mesmo de nascerem as camisas floridas, as c\u00e2meras e at\u00e9 Portugal, a busca por lugares diferentes era parte integrante da vida humana. Para os romanos, esse tipo de encontro era tudo, menos amig\u00e1vel, e levou ao pejorativo nome dado por eles aos estrangeiros: \u201cb\u00e1rbaros\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ideia de turismo que cultivamos hoje aparece, obviamente, muito depois de todas essas hist\u00f3rias. Turista turista, s\u00f3 depois da revolu\u00e7\u00e3o industrial, com a introdu\u00e7\u00e3o de \u201ctempo livre\u201d no imagin\u00e1rio popular. \u00c9 algo que se distancia das explora\u00e7\u00f5es portuguesas ou das inimizades romanas, para ent\u00e3o se aproximar de uma sede por descanso. E \u00e9 a\u00ed que nasce um dos segmentos mais rent\u00e1veis do mundo: segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Turismo (OMT), ele \u00e9 hoje respons\u00e1vel por 9% do PIB mundial. Nada m\u00e1, a presen\u00e7a dos \u201cb\u00e1rbaros\u201d, seria bom revelar aos romanos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas como colocar pre\u00e7os em praias, climas ou culturas? A turism\u00f3loga Clarissa Gagliardi explica: o ganha-p\u00e3o, na verdade, s\u00e3o os servi\u00e7os. Com a cria\u00e7\u00e3o de ag\u00eancias especializadas, que re\u00fanem v\u00e1rios deles em um s\u00f3 lugar, \u00e9 prov\u00e1vel que muitos de n\u00f3s nos afastemos ainda mais das explora\u00e7\u00f5es aventureiras de outrora. Com seus pacotes, essas empresas apresentam vantagens tanto no pre\u00e7o quanto na sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a que envolve ser guiado e ter companhia, em visita aos \u201cb\u00e1rbaros\u201d. \u00a0Mas elas tamb\u00e9m podem transformar a explora\u00e7\u00e3o de cidades e at\u00e9 de pa\u00edses inteiros na mera visita de pontos tur\u00edsticos ou roteiros cristalizados. Tamb\u00e9m comp\u00f5em esse quadro as padronizadas redes de hot\u00e9is internacionais, que se prop\u00f5em a fazer mesmo da estadia em lugares desconhecidos uma experi\u00eancia familiar.<\/p>\n<p>Com um cen\u00e1rio desses, \u00e9 de se questionar como o turista atual ainda se assemelha aos exploradores antigos. Com tanto conforto e familiaridade, perderia a viagem algo de seu valor? Clarissa n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o pessimista assim. Segundo ela, ao mesmo tempo em que a globaliza\u00e7\u00e3o torna as viagens mais padronizadas, ela possibilita um acesso cada vez maior ao turismo. Al\u00e9m disso, um tipo de viagem n\u00e3o exclui a possibilidade de outro. E s\u00e3o poss\u00edveis, como ela conta, muitos outros. \u201cVoc\u00ea n\u00e3o tem s\u00f3 essa estrutura\u201d, prop\u00f5e. \u201cD\u00e1 pra ir pra Portugal e ficar no Ibis ou ficar numa pousada hist\u00f3rica, por exemplo\u201d. O pa\u00eds dos exploradores que descobriram o Brasil tinha algo muito interessante, nos anos 40: o governo comprou v\u00e1rios pr\u00e9dios hist\u00f3ricos, para depois transfom\u00e1-los em pousadas tradicionais e estatais. Depois de problemas econ\u00f4micos, houve a privatiza\u00e7\u00e3o de parte dessa rede, que passou a ser gerida por mais um grupo internacional: o Pestana. \u201cO servi\u00e7o deve ter ganho um ar de padr\u00e3o internacional\u201d, opina a turism\u00f3loga, \u201cmas em muitos lugares ainda d\u00e1 para ter uma experi\u00eancia mais regional, com profissionais que sejam de l\u00e1\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para quem ainda procura por explora\u00e7\u00f5es, Clarissa tem ainda outras dicas: o turismo de experi\u00eancia e, principalmente, o turismo social. O primeiro envolve atividades sensoriais demarcadas, como saltos de p\u00e1ra-quedas, enquanto o segundo inclui tanto pre\u00e7os mais acess\u00edveis (geralmente subsidiados) quanto um contato mais pr\u00f3ximo com popula\u00e7\u00f5es locais. Al\u00e9m disso, novas ferramentas digitais, como \u00e9 o caso de aplicativos e blogs de turismo, \u00a0podem ajudar. Os viajantes, assim, n\u00e3o ficam t\u00e3o dependentes das ag\u00eancias na hora de explorar. O cen\u00e1rio \u00e9 novo, mas \u00e9 importante saber que ainda d\u00e1 pra sair por a\u00ed com um qu\u00ea daqueles lusitanos. Mesmo que &#8211; por que n\u00e3o? &#8211; com camisa florida e c\u00e2mera pendurada no pesco\u00e7o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Ser viajante nem sempre envolveu vestir camisa florida e pendurar c\u00e2mera no pesco\u00e7o. 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