{"id":4572,"date":"2021-05-06T16:20:19","date_gmt":"2021-05-06T16:20:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.usp.br\/claro\/?p=4572"},"modified":"2021-06-01T20:29:18","modified_gmt":"2021-06-01T20:29:18","slug":"no-limite-e-alem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/2021\/05\/06\/no-limite-e-alem\/","title":{"rendered":"No limite, e al\u00e9m"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4535\" src=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/eutanasia_Prancheta-1.png\" alt=\"eutanasia_Prancheta 1\" width=\"940\" height=\"534\" srcset=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/eutanasia_Prancheta-1.png 940w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/eutanasia_Prancheta-1-640x364.png 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 940px) 100vw, 940px\" \/><\/p>\n<h5>Arte por Gabriella Sales e Mariana Catacci<\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c<\/span><b>At\u00e9 onde vai a vida?<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d. Quando uma pessoa tem uma doen\u00e7a terminal e se aproxima desse limite, tal dilema vem \u00e0 tona. O debate \u00e9 acompanhado de outras quest\u00f5es complexas, como o direito \u00e0 morte digna, a diminui\u00e7\u00e3o do sofrimento e at\u00e9 procedimentos de eutan\u00e1sia \u2014 atualmente ilegais no Brasil.<\/span><\/p>\n<p><strong><strong>\u00a0<\/strong><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por defini\u00e7\u00e3o, a eutan\u00e1sia \u00e9 uma interven\u00e7\u00e3o m\u00e9dica que causa a morte de um paciente, a fim de evitar que ele viva maiores sofrimentos. De acordo com a interpreta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica brasileira, procedimentos como esses \u201cpodem ser enquadrados como homic\u00eddio, omiss\u00e3o de socorro e aux\u00edlio ao suic\u00eddio\u201d. Todos crimes pass\u00edveis de pena, explica Ot\u00e1vio Morato, autor do artigo \u201cStatus legal da eutan\u00e1sia e ortotan\u00e1sia no Brasil\u201d e p\u00f3s-graduado em Direito-Civil pela PUC-MG.<\/span><\/p>\n<p><strong><strong>\u00a0<\/strong><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, o enfermeiro e doutor em bio\u00e9tica pela UFRJ Oswaldo da Motta explica que h\u00e1 diferen\u00e7as entre causar morte e \u201cdeixar morrer\u201d em decorr\u00eancia da doen\u00e7a. A segunda conduta, chamada de ortan\u00e1sia, n\u00e3o \u00e9 ilegal e geralmente vem acompanhada de cuidados paliativos \u2014 procedimentos que buscam melhorar a qualidade de vida dos pacientes, ainda que sem prolong\u00e1-la. A atual resolu\u00e7\u00e3o do Conselho Federal de Medicina atribui tal decis\u00e3o ao paciente e, quando este n\u00e3o pode tom\u00e1-la, a um familiar ou a um \u201ctestamento vital\u201d \u2014 documento redigido previamente que descreve os seus desejos.<\/span><\/p>\n<p><strong><strong>\u00a0<\/strong><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cMuitas vezes o paciente precisa de algu\u00e9m junto dele, n\u00e3o s\u00f3 de interven\u00e7\u00e3o m\u00e9dica\u201d, explica o psic\u00f3logo Adriano Facioli, que acompanhou pacientes com doen\u00e7a avan\u00e7ada por 6 anos. Conforme o tratamento m\u00e9dico deixa de dar resultado, o trato psicol\u00f3gico e o acompanhamento de familiares v\u00e3o se tornando mais importantes.<\/span><\/p>\n<p><strong><strong>\u00a0<\/strong><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Realizar este trabalho de acompanhamento tamb\u00e9m possui muitas ang\u00fastias. Odete Novembrini, que j\u00e1 teve de acompanhar 4 familiares com c\u00e2ncer avan\u00e7ado, relata que a rotina \u00e9 muito desgastante. \u201cDe noite, sempre vem uma enfermeira para aplicar um rem\u00e9dio para dormir, para relaxar o paciente. Mas os que acompanham n\u00e3o tem nada disso; eles t\u00eam de ficar ali sofrendo&#8230; e tamb\u00e9m acabam ficando doentes\u2026 a fam\u00edlia adoece\u201d, afirma ela. Ou\u00e7a mais:<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-4572-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/No-limite-e-al\u00e9m-Eutan\u00e1sia-limites-da-vida-Longform-Claro-Vida-vers\u00e3o-2.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/No-limite-e-al\u00e9m-Eutan\u00e1sia-limites-da-vida-Longform-Claro-Vida-vers\u00e3o-2.mp3\">https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/No-limite-e-al\u00e9m-Eutan\u00e1sia-limites-da-vida-Longform-Claro-Vida-vers\u00e3o-2.mp3<\/a><\/audio>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Lidar com despedidas n\u00e3o \u00e9 mais f\u00e1cil para a equipe m\u00e9dica, aponta a professora Maria Kov\u00e1cs. Mesmo quando parte da rotina, a ideia de \u201cse acostumar\u201d \u00e9 um mito. \u201cNormalmente, o profissional da sa\u00fade n\u00e3o est\u00e1 preparado para lidar com o fim de vida, pois ele aprende apenas a manter a vida\u201d, afirma Oswaldo da Motta. Sem essa prepara\u00e7\u00e3o, a equipe m\u00e9dica sente maior dificuldade em empatizar e lidar internamente com o sofrimento.<\/span><\/p>\n<p><strong><strong>\u00a0<\/strong><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As conversas de Daniely e seu pai, apesar de n\u00e3o abordar a morte, serviam como despedida: \u201cNa \u00faltima noite, ele teve um momento de lucidez, e n\u00f3s conversamos bastante.\u00a0 Falamos sobre a faculdade, ele perguntou se era um bom pai\u2026 sabe?\u201d Sua preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o estava mais na doen\u00e7a, em seu presente, mas no futuro de sua fam\u00edlia. \u201c\u2018Eu falava \u2018Oi pai, como \u00e9 que voc\u00ea est\u00e1?\u2019 E ele falava: &#8216;Eu estou bem, estou bem\u2019. Ele se demonstrava forte para mim.\u201d<\/span><\/p>\n<p><strong><strong>\u00a0<\/strong><\/strong><\/p>\n<h4><em><b>Colaboraram:<\/b><\/em><\/h4>\n<h4><em><span style=\"font-weight: 400;\">Ot\u00e1vio Morato, autor de artigos sobre eutan\u00e1sia e ortotan\u00e1sia, formado em Direito pela UFMG e especializado em Divil-Civil pela PUC-MG.<\/span><\/em><\/h4>\n<h4><em><span style=\"font-weight: 400;\">Oswaldo da Motta, formado em enfermagem pela Universidade Gama Filho e doutor em bio\u00e9tica, \u00e9tica aplicada e sa\u00fade coletiva pela UFRJ.<\/span><\/em><\/h4>\n<h4><em><span style=\"font-weight: 400;\">Adriano Machado Facioli, doutor em psicologia pela Universidade de Bras\u00edlia e ex-psic\u00f3logo do SUS (Sistema \u00danico de Sa\u00fade) por 6 anos.<\/span><\/em><\/h4>\n<h4><em><span style=\"font-weight: 400;\">Odete Novembrini, que acompanhou a sogra, o sogro, dois cunhados e o marido, a maioria diagnosticados com c\u00e2ncer de est\u00f4mago.<\/span><\/em><\/h4>\n<h4><em><span style=\"font-weight: 400;\">Maria J\u00falia Kov\u00e1cs, professora livre-docente s\u00eanior do Instituto de Psicologia da USP e membro fundador do Laborat\u00f3rio de Estudos sobre a Morte.<\/span><\/em><\/h4>\n<h4><em><span style=\"font-weight: 400;\">Mariza Sotelo Codo, que acompanhou o marido em casa, ap\u00f3s seu diagn\u00f3stico.<\/span><\/em><\/h4>\n<h4><em><span style=\"font-weight: 400;\">Daniely Gon\u00e7alves da Silva, que acompanhou o pai, internado no hospital.<\/span><\/em><\/h4>\n<h4><\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cAt\u00e9 onde vai a vida?\u201d. Esta \u00e9 uma pergunta f\u00e1cil de fazer, mas dif\u00edcil de responder. Ao lidar com este questionamento, pacientes, familiares e a equipe m\u00e9dica, levantam tamb\u00e9m debates morais e legais complexos, acerca do momento de despedida e da possibilidade de encurtar seu sofrimento atrav\u00e9s da eutan\u00e1sia.<\/p>\n","protected":false},"author":407,"featured_media":4535,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[939],"tags":[940,957,956,796,139,140],"class_list":["post-4572","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-vida","tag-claro-vida","tag-cuidados","tag-eutanasia","tag-longform","tag-morte","tag-vida"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4572","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/407"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4572"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4572\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4631,"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4572\/revisions\/4631"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4535"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4572"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4572"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4572"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}