{"id":5249,"date":"2021-10-07T00:26:08","date_gmt":"2021-10-07T00:26:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.usp.br\/claro\/?p=5249"},"modified":"2021-11-05T02:59:22","modified_gmt":"2021-11-05T02:59:22","slug":"bye-bye-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/2021\/10\/07\/bye-bye-brasil\/","title":{"rendered":"Bye Bye Brasil"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5250\" src=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/estrangeiro.png\" alt=\"estrangeiro\" width=\"940\" height=\"535\" srcset=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/estrangeiro.png 940w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/estrangeiro-640x364.png 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 940px) 100vw, 940px\" \/><\/p>\n<h5>Arte por Bruna Irala e Mayara Prado<\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Alguns brasileiros alimentam o desejo em deixar a sua p\u00e1tria para viver em outro pa\u00eds, como estrangeiros. Uma pesquisa Datafolha, de 2018, mostra que 43% da popula\u00e7\u00e3o adulta e 62% dos jovens (16 a 24 anos) t\u00eam esse \u00edmpeto. Em 2020, eram 4.215.800 no exterior. Os motivos que os levam a mudan\u00e7a s\u00e3o os mais diversos, desde a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica at\u00e9 a quest\u00e3o da viol\u00eancia end\u00eamica do Brasil.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Daniela Ohuti, 42, tinha 23 anos quando mudou-se para o Jap\u00e3o, em outubro de 1998. Era t\u00e9cnica de inform\u00e1tica rec\u00e9m formada, mas n\u00e3o encontrava emprego. Quando a oportunidade de migrar surgiu, vislumbrou nisso uma alternativa de melhoria de vida. Sua ideia inicial era ficar alguns anos, juntar dinheiro e voltar. J\u00e1 vivendo l\u00e1, e apesar de j\u00e1 estar acostumada com a vida no Jap\u00e3o, Daniela sentia que havia algo faltando. Esse algo era a saudade da fam\u00edlia, que havia deixado para tr\u00e1s. Com o nascimento do seu filho, em 2005, decidiu que era hora de voltar pro Brasil. Atualmente, ela n\u00e3o pensa mais em sair do pa\u00eds.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se para Daniela foram as quest\u00f5es econ\u00f4micas, para outros a raz\u00e3o pode ser a sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a que faz querer arrumar as malas e partir para um lugar estranho. Andrea Faria, 52, \u00e9 filha de pai portugu\u00eas e sua descend\u00eancia a fez buscar se naturalizar em Portugal com as filhas. Ela enxerga o pa\u00eds como um lugar mais seguro que o Brasil, ainda que casos recentes de xenofobia por parte dos portugueses a fa\u00e7am ter medo da mudan\u00e7a. Esse estranhamento se traduz em n\u00fameros: 86% dos imigrantes j\u00e1 sofreram discrimina\u00e7\u00e3o, segundo um relat\u00f3rio (2020) da Casa do Brasil de Lisboa (CBL). Al\u00e9m da preocupa\u00e7\u00e3o com a recep\u00e7\u00e3o por l\u00e1, a pandemia e outras quest\u00f5es pessoais fizeram com que adiasse a ida para Portugal.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Atualmente, brasileiros que desejam sair do pa\u00eds t\u00eam como principal destino a Am\u00e9rica do Norte. Segundo dados do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, quase dois milh\u00f5es de brasileiros vivem na regi\u00e3o. Para o professor Igor Machado, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">coordenador do Laborat\u00f3rio de Estudos Migrat\u00f3rios da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos, a predile\u00e7\u00e3o pelos Estados Unidos (EUA) tem raz\u00f5es culturais: \u201cH\u00e1 uma narrativa que incentiva essa ideia de que l\u00e1\u00a0 as pessoas progridem mais economicamente, h\u00e1 um ide\u00e1rio do enriquecimento\u201d. Est\u00e1 no imagin\u00e1rio de quem migra as oportunidades que o pa\u00eds oferece. Igor tamb\u00e9m ressalta que h\u00e1 tanto tempo os brasileiros migram com esse destino, que h\u00e1 uma comunidade brasileira j\u00e1 consolidada por l\u00e1: \u201cQuanto mais redes estabelecidas num lugar, mais f\u00e1cil \u00e9 ir para l\u00e1\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Algumas experi\u00eancias s\u00e3o determinantes para despertar o desejo de ir e se tornar um estrangeiro. J\u00e9ssica Vieira, 24, sempre estudou ingl\u00eas e fez alguns interc\u00e2mbios antes de se mudar de vez para os EUA. Ela conta que foi muito bem recebida quando chegou, e n\u00e3o vislumbra um movimento de retorno ao Brasil t\u00e3o cedo. \u201cAcredito que ainda h\u00e1 muitas oportunidades para mim aqui, oportunidades que n\u00e3o existem no Brasil&#8221;, conta. Essa vis\u00e3o demonstra uma cristaliza\u00e7\u00e3o do exterior como um lugar de mais possibilidades para os que escolhem ser estranhos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Colaboraram:<\/strong><\/p>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Andreia Cristina de Faria Furtado,\u00a0 professora da rede p\u00fablica de S\u00e3o Paulo<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Daniela Ohuti, banc\u00e1ria na Caixa Econ\u00f4mica Federal<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Igor Machado, coordenador<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">do Laborat\u00f3rio de Estudos Migrat\u00f3rios da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Jessica Vieira Leme, estudante na \u00e1rea de comunica\u00e7\u00e3o na\u00a0 Universidade da Pensilv\u00e2nia<\/span><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arte por Bruna Irala e Mayara Prado &nbsp; &nbsp; Alguns brasileiros alimentam o desejo em deixar a sua p\u00e1tria para viver em outro pa\u00eds, como estrangeiros. 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