{"id":5398,"date":"2021-11-05T04:48:43","date_gmt":"2021-11-05T04:48:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.usp.br\/claro\/?p=5398"},"modified":"2022-04-26T19:42:56","modified_gmt":"2022-04-26T19:42:56","slug":"ai-como-coca-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/2021\/11\/05\/ai-como-coca-2\/","title":{"rendered":"Ai, como co\u00e7a&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-5302\" src=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Imagem1.png\" alt=\"\" width=\"1038\" height=\"588\"><\/p>\n<h5><b>Arte por Amanda Mazzei e Luana Benedito<\/b><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cVinte anos com crises constantes e interna\u00e7\u00f5es, \u00e0 base de muitos rem\u00e9dios e v\u00e1rios tratamentos\u201d. \u00c9 assim que Suzana, aos 26 anos, descreve sua rela\u00e7\u00e3o com a dermatite at\u00f3pica grave. Ela \u00e9 uma das pessoas que habitam peles sens\u00edveis, duramente afetadas pela mente.<\/p>\n<p><strong><strong>&nbsp;<\/strong><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Atrav\u00e9s de arrepios ou suor nas m\u00e3os, sentimos a rela\u00e7\u00e3o direta entre a pele e o psicol\u00f3gico. Para algumas pessoas, esta rela\u00e7\u00e3o \u00e9 conflituosa, recheada de coceiras e inflama\u00e7\u00f5es. Por meio de neurotransmissores, o estresse pode desencadear diferentes rea\u00e7\u00f5es no \u00f3rg\u00e3o e agravar diversas doen\u00e7as.<\/span><\/p>\n<p><strong><strong>&nbsp;<\/strong><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O diagn\u00f3stico \u00e9 feito por um dermatologista, geralmente, ap\u00f3s a inspe\u00e7\u00e3o da pele e escuta dos sintomas. Em alguns casos, por\u00e9m, \u00e9 necess\u00e1ria uma bi\u00f3psia seguida de exames para o firmar.<\/span><\/p>\n<p><strong><strong>&nbsp;<\/strong><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 o caso de Algemira, que convive com a psor\u00edase na palma das m\u00e3os desde os 30 anos, embora s\u00f3 tenha recebido o diagn\u00f3stico aos 44, ap\u00f3s exames. Segundo a corretora de textos, duas trag\u00e9dias promoveram a doen\u00e7a: a morte do sobrinho e a not\u00edcia de que sua m\u00e3e estava com c\u00e2ncer.<\/span><\/p>\n<p><strong><strong>&nbsp;<\/strong><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 Tailini, aos 20 anos, descobriu que os tons de vermelho em seu rosto se tratavam da ros\u00e1cea cr\u00f4nica. \u00c9 comum a doen\u00e7a se manifestar apenas em momentos de ansiedade, sumindo logo depois. Entretanto, no caso da professora de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, as manchas avermelhadas s\u00e3o constantes.<\/span><\/p>\n<p><strong><strong>&nbsp;<\/strong><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Cremes, hidratantes, pomadas, lasers e rem\u00e9dios n\u00e3o s\u00e3o suficientes para conter os rompantes emocionais que afloram na pele. E vale tudo para evitar coment\u00e1rios indelicados e preconceituosos.<\/span><\/p>\n<p><strong><strong>&nbsp;<\/strong><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Algemira parou de usar an\u00e9is e criou o h\u00e1bito de esconder suas m\u00e3os constantemente. Para Tailini, a maquiagem no rosto se tornou obrigat\u00f3ria, ao ponto de recusar ir ao parque aqu\u00e1tico com amigos, para que eles n\u00e3o vissem suas manchas.<\/span><\/p>\n<p><strong><strong>&nbsp;<\/strong><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Profissionalmente, ambas relatam problemas, seja pelo suor, que agrava as manchas da educadora f\u00edsica, ou pelo constante uso das m\u00e3os, que piora as feridas da professora de portugu\u00eas, ainda que use luvas de vinil para trabalhar.<\/span><\/p>\n<p><strong><strong>&nbsp;<\/strong><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No caso de Suzana, coisas simples, como tomar banho ou lavar a lou\u00e7a, s\u00e3o motivos de dor e desconforto, pois o sab\u00e3o agrava a dermatite. Ela desabafa que, por ter o corpo todo manchado, o preconceito afetou sua socializa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><strong><strong>&nbsp;<\/strong><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo pesquisa da Sociedade Brasileira de Dermatologia em parceria com o Datafolha, feita neste ano, tr\u00eas em cada dez brasileiros acreditam que a dermatite at\u00f3pica \u00e9 um problema de sa\u00fade contagioso. Tal percep\u00e7\u00e3o n\u00e3o se limita \u00e0 dermatite, pois o preconceito transcende as doen\u00e7as.<\/span><\/p>\n<p><strong><strong>&nbsp;<\/strong><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O primeiro passo \u00e9 aceitar que o quadro emocional apresenta rela\u00e7\u00e3o com os problemas de pele. Segundo Abdo Salom\u00e3o J\u00fanior, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, muitos pacientes hesitam em iniciar um tratamento multidisciplinar com psicoterapeutas e dermatologistas, por n\u00e3o acreditarem no fator psicol\u00f3gico como influ\u00eancia para tais problemas, o que agrava a situa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><strong><strong>&nbsp;<\/strong><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m disso, a autoaceita\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental e, em grande parte dos casos, conquistada depois de muita reflex\u00e3o e terapia. Conviver com olhares tortos e perguntas indelicadas \u00e9 dif\u00edcil. Entre altos e baixos, cada mancha e cicatriz se torna uma hist\u00f3ria de supera\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><strong><strong>&nbsp;<\/strong><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tailini, Suzana e Algemira n\u00e3o se deixam definir pela condi\u00e7\u00e3o da pele. Para elas, fazer as pazes com o pr\u00f3prio corpo \u00e9 uma escolha di\u00e1ria, e n\u00e3o sobrou espa\u00e7o para aqueles que j\u00e1 ousaram zombar de suas condi\u00e7\u00f5es. Apesar da dor, suas peles s\u00e3o s\u00edmbolo de resili\u00eancia e do triunfo de aceitar a si mesmo \u2014 contra qualquer tipo de preconceito.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Colaboraram:<\/b><\/p>\n<p>Abdo Salom\u00e3o Jr., diretor da Cl\u00ednica Dermatol\u00f3gica Abdo Salom\u00e3o Junior e s\u00f3cio efetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Algemira Kollar;<\/span><\/p>\n<p>Patr\u00edcia Mafra, dermatologista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia e dona da Cl\u00ednica Patr\u00edcia Mafra;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Suzana de Almeida Costa Mesquita (@minhavidacomdermatite);<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tailini L\u00facia de Lima (@diaadiacomrosacea);<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arte por Amanda Mazzei e Luana Benedito &nbsp; &nbsp; \u201cVinte anos com crises constantes e interna\u00e7\u00f5es, \u00e0 base de muitos rem\u00e9dios e v\u00e1rios tratamentos\u201d. \u00c9 assim que Suzana, aos 26 anos, descreve sua rela\u00e7\u00e3o com a dermatite at\u00f3pica grave. 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