{"id":6665,"date":"2023-05-10T10:02:49","date_gmt":"2023-05-10T10:02:49","guid":{"rendered":"http:\/\/claro.webhostusp.sti.usp.br\/?p=6665"},"modified":"2023-06-07T02:22:59","modified_gmt":"2023-06-07T02:22:59","slug":"e-quando-acontece","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/2023\/05\/10\/e-quando-acontece\/","title":{"rendered":"E quando acontece?"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1300\" height=\"740\" src=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Capa_Post_Medico_-1300x740.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-6647\" srcset=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Capa_Post_Medico_-1300x740.png 1300w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Capa_Post_Medico_-640x364.png 640w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Capa_Post_Medico_-768x437.png 768w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Capa_Post_Medico_-1536x874.png 1536w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Capa_Post_Medico_-2048x1166.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1300px) 100vw, 1300px\" \/><figcaption><strong>Arte: Mariana Carneiro<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cerca de 55 mil pessoas morrem a cada ano no Brasil. Outras tantas carregam as marcas dos \u201cerros m\u00e9dicos\u201d ao longo da vida. O Conselho Federal de Medicina os definem como dano provocado no paciente pela a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o do m\u00e9dico, sem a inten\u00e7\u00e3o de comet\u00ea-lo; gerado pela imprud\u00eancia, imper\u00edcia ou neglig\u00eancia.<br><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gilberto Camanho, ortopedista, viu colegas desistirem da profiss\u00e3o por medo de errar. A especialidade dele \u00e9 a quarta mais denunciada por falhas em procedimentos. Em primeiro lugar, vem ginecologia e obstetr\u00edcia.<br><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Roberta* passou por um quadro de diabetes gestacional, mas a condi\u00e7\u00e3o estava controlada quando chegou ao hospital para dar \u00e0 luz. No final do parto, um sangramento anormal alarmou a equipe m\u00e9dica. Eles optaram por colocar um acesso em seu bra\u00e7o para continuar com a medica\u00e7\u00e3o e facilitar a realiza\u00e7\u00e3o de procedimentos necess\u00e1rios.<br><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No final do dia, quando o marido de Roberta pode visit\u00e1-la, percebeu que os dedos de sua m\u00e3o estavam pretos e alertou a enfermeira. Os m\u00e9dicos disseram que ela provavelmente estava perdendo a circula\u00e7\u00e3o porque havia deitado sobre a m\u00e3o, o que, segundo a v\u00edtima, era imposs\u00edvel.<br><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sem entender o que estava acontecendo, ela precisou ser transferida para outro hospital. A avalia\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o veio 22h depois: era um caso de urg\u00eancia e havia s\u00f3 5% de chance da m\u00e3o n\u00e3o ser amputada. O procedimento foi feito \u00e0s pressas, j\u00e1 que a paciente foi transferida com pouca documenta\u00e7\u00e3o. \u201cEu n\u00e3o quis fazer uma ces\u00e1rea por medo da cirurgia, por\u00e9m precisei passar por v\u00e1rias\u201d, conta.<br><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caso est\u00e1 em segredo de justi\u00e7a e foi solicitado apoio do Minist\u00e9rio P\u00fablico e da Secretaria de Sa\u00fade. Enquanto isso, a m\u00e3e tenta contornar as dificuldades: \u201cJ\u00e1 consigo dar banho no meu filho, trocar, pegar ele. Coisas simples que n\u00e3o conseguia fazer.\u201d A advogada de Roberta conta que duas sindic\u00e2ncias foram abertas, ainda sem resposta. Um registro de ocorr\u00eancia tamb\u00e9m foi feito no in\u00edcio do ano e o processo segue em curso.&nbsp;<br><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Errar \u00e9 humano, mas o cuidado precisa ser redobrado quando a falha interfere diretamente no outro. Na medicina, um deslize pode custar o bem-estar ou a vida de algu\u00e9m. As v\u00edtimas lidam diariamente com as marcas da neglig\u00eancia e do erro \u2014 e n\u00e3o h\u00e1 indeniza\u00e7\u00e3o ou pedido de desculpas que apague isso.<br><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>*<\/strong>Os nomes da v\u00edtima e advogada foram alterados para preservar sua identidade<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>COLABORADORES<\/strong>: Fernando Polastro &#8211; Volunt\u00e1rio da ABRAVEM<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cerca de 55 mil pessoas morrem a cada ano no Brasil. Outras tantas carregam as marcas dos \u201cerros m\u00e9dicos\u201d ao longo da vida. O Conselho Federal de Medicina os definem como dano provocado no paciente pela a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o do m\u00e9dico, sem a inten\u00e7\u00e3o de comet\u00ea-lo; gerado pela imprud\u00eancia, imper\u00edcia ou neglig\u00eancia. 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