{"id":6836,"date":"2023-06-07T02:12:59","date_gmt":"2023-06-07T02:12:59","guid":{"rendered":"http:\/\/claro.webhostusp.sti.usp.br\/?p=6836"},"modified":"2023-07-05T01:44:59","modified_gmt":"2023-07-05T01:44:59","slug":"entre-ceu-e-concreto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/2023\/06\/07\/entre-ceu-e-concreto\/","title":{"rendered":"Entre c\u00e9u e concreto"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1300\" height=\"740\" src=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Design-sem-nome-33-1300x740.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-6910\" srcset=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Design-sem-nome-33-1300x740.png 1300w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Design-sem-nome-33-640x364.png 640w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Design-sem-nome-33-768x437.png 768w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Design-sem-nome-33-1536x874.png 1536w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Design-sem-nome-33-2048x1166.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1300px) 100vw, 1300px\" \/><figcaption><strong>Arte: <\/strong>Caroline Kellen<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da Rep\u00fablica ao Largo da Batata, da Paulista ao CEAGESP, da Mooca \u00e0 S\u00e9. A capital paulista tem cada vez mais seus espa\u00e7os p\u00fablicos preenchidos por pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua. Em 2022, o Ipea estimou 281 mil pessoas vivendo assim no Brasil. S\u00e3o Paulo abriga quase um quinto desse total, segundo o Cad\u00danico. O Censo Municipal da Popula\u00e7\u00e3o em Situa\u00e7\u00e3o de Rua de 2021 aponta o centro como o maior polo, especialmente Santa Cec\u00edlia, onde essa popula\u00e7\u00e3o chega a 5.006, e a Rep\u00fablica, com 2.656.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gustavo Brito, 35, come\u00e7a mais um dia pedindo um salgado na Consola\u00e7\u00e3o. Quando come\u00e7a a conversar, pede um cigarro, que queima em sua m\u00e3o enquanto conta sua vida. O p\u00f3 o levou \u00e0 rua, o crack o deixou l\u00e1. Morador h\u00e1 quatro anos, ele fala que o centro \u00e9 atraente pela maior oferta de comida, empregos, pol\u00edticas p\u00fablicas e apoios \u2013 at\u00e9 s\u00f3 tomar um banho. A urbanista Jussara Martins explica como pequenas ajudas s\u00e3o um poss\u00edvel paliativo, j\u00e1 que as pol\u00edticas de assist\u00eancia n\u00e3o atendem \u00e0 crescente demanda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Perto dali, Juliano Soares est\u00e1 deitado em seu colch\u00e3o em uma esquina na Oscar Freire, falando no telefone enquanto faz sua sesta. Nascido na rua e conhecido pelos vizinhos, arranjou um \u201cbico\u201d em uma loja e quer comprar uma barraca para ficar na seguran\u00e7a da rede de apoio que achou no bairro e em seus moradores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, a sorte de Juliano n\u00e3o \u00e9 a de todos. Arranjar um emprego sem endere\u00e7o e sem a higiene hoje em dia \u00e9 imposs\u00edvel, conta Gustavo, que anda com um saco pl\u00e1stico caso encontre latinhas para reciclar. Para muitos dos que vivem na rua, a falta de um suporte como o de Juliano os debilita mais ainda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gustavo relata como enfrentar a cidade sem essa rede \u00e9 um inferno di\u00e1rio. Passar por bancos feitos para impossibilitar seu descanso, seguran\u00e7as para mant\u00ea-lo longe de \u00e1reas \u201cnobres\u201d, elementos vis\u00edveis a todos mas feitos para hostilizar o mundo para alguns. Enquanto a cidade de S\u00e3o Paulo tem notificados milhares de im\u00f3veis vazios e segue com seus paliativos, Gustavo, Juliano e outros 48 mil continuar\u00e3o dormindo sob o mesmo c\u00e9u exposto.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da Rep\u00fablica ao Largo da Batata, da Paulista ao CEAGESP, da Mooca \u00e0 S\u00e9. A capital paulista tem cada vez mais seus espa\u00e7os p\u00fablicos preenchidos por pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua. Em 2022, o Ipea estimou 281 mil pessoas vivendo assim no Brasil. S\u00e3o Paulo abriga quase um quinto desse total, segundo o Cad\u00danico. 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