{"id":6870,"date":"2023-06-07T02:00:52","date_gmt":"2023-06-07T02:00:52","guid":{"rendered":"http:\/\/claro.webhostusp.sti.usp.br\/?p=6870"},"modified":"2023-07-05T01:45:34","modified_gmt":"2023-07-05T01:45:34","slug":"ver-e-ser-visto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/2023\/06\/07\/ver-e-ser-visto\/","title":{"rendered":"Ver e ser visto"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1300\" height=\"740\" src=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/10-Amigo-Imaginario-1300x740.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6871\" srcset=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/10-Amigo-Imaginario-1300x740.jpg 1300w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/10-Amigo-Imaginario-640x364.jpg 640w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/10-Amigo-Imaginario-768x437.jpg 768w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/10-Amigo-Imaginario-1536x874.jpg 1536w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/10-Amigo-Imaginario-2048x1166.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1300px) 100vw, 1300px\" \/><figcaption><strong>Arte: <\/strong>Caroline Kellen e L\u00edvia Magalh\u00e3es<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando a ma\u00e7aneta da porta girava, Cirilo sumia. Assim que os pais da garota sa\u00edam do quarto, como num passe de m\u00e1gica, o amigo voltava \u00e0 brincadeira. N\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o pudessem saber o que os pequenos faziam. Eles sabiam. Mas, todas as vezes em que viam a intera\u00e7\u00e3o, diziam que, em algum momento, a filha teria que substituir o companheiro por outras pessoas, talvez pelos vizinhos. Algu\u00e9m que pudesse ser visto.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aos 6 anos, pela miopia, foi encaminhada para a primeira fileira da sala e encontrou uma amiga para todas as horas. Nesse dia, sem nenhum adeus, Cirilo foi embora. Darah n\u00e3o chorou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua hist\u00f3ria, t\u00e3o pessoal, \u00e9 compartilhada por outras tantas pessoas: cerca de 65% das crian\u00e7as de at\u00e9 7 anos t\u00eam um amigo imagin\u00e1rio, segundo dados da Universidade de Oregon de 2008. A figura\u00e7\u00e3o come\u00e7a por volta dos 3 anos, quando a capacidade de contar hist\u00f3rias, criar v\u00ednculos afetivos e crer em seres m\u00e1gicos se inicia. O t\u00e9rmino, por outro lado, ocorre quando h\u00e1 o amadurecimento cognitivo e a diferencia\u00e7\u00e3o entre subjetividade e realidade, explica o psic\u00f3logo especializado em desenvolvimento infantil Mateus Amaral.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A amizade invis\u00edvel de Darah aconteceu no final dos anos 1990. Com o passar do tempo, as portas da imagina\u00e7\u00e3o ganharam ma\u00e7anetas autom\u00e1ticas, e os amigos invis\u00edveis acompanharam esse processo.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">La\u00eds* (5) e Mariana* (7) acordam e correm para encontrar o celular de sua m\u00e3e. Selecionam o melhor enquadramento e apoiam o aparelho na pia: seus amigos n\u00e3o podem perder o ritual de escovar os dentes enquanto relatam detalhadamente seus sonhos. Imaginando o p\u00fablico que as v\u00ea, a c\u00e2mera segue as irm\u00e3s das aulas de nata\u00e7\u00e3o \u00e0 hora de dormir.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os meios mudaram, mas a raz\u00f5es para personificar um p\u00fablico inexistente, n\u00e3o: as crian\u00e7as buscam ter companhia, expressar emo\u00e7\u00f5es ou experimentar identidades distintas. A diferen\u00e7a est\u00e1 no acesso precoce \u00e0 internet. A gera\u00e7\u00e3o Alpha, altamente conectada \u00e0s redes sociais, tem, desde beb\u00eas, est\u00edmulos tecnol\u00f3gicos presentes em suas vidas, o que se reflete na forma como imaginam o mundo ao seu redor. Tamb\u00e9m, na naturalidade em estarem sempre sendo vistos.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As garotas desenvolveram vista cansada e o tempo de tela \u00e9 supervisionado pela m\u00e3e Thalita*. O monitoramento dos aparelhos funciona como preven\u00e7\u00e3o do v\u00edcio, que, ao se estabelecer, deve ser tratado por um psic\u00f3logo, alerta Mateus. Mas h\u00e1 outro medo, que se manteve nos \u00faltimos 30 anos: o isolamento das filhas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A confus\u00e3o entre realidade, imagina\u00e7\u00e3o e mundo virtual \u00e9 quase inerente \u00e0 nova inf\u00e2ncia, e o papel dos adultos \u00e9 dar suporte na compreens\u00e3o do mundo, sem julgamentos, enquanto estabelecem limites para seguran\u00e7a dos pequenos e os apresentam novas possibilidades sociais. \u00c9 ver o que eles n\u00e3o conseguem e direcion\u00e1-los quanto ao invis\u00edvel, girando ma\u00e7anetas em dire\u00e7\u00e3o ao vis\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:16px\"><em>*Nome fict\u00edcio<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:16px\"><em><strong>Colaboradores:<\/strong> Nat\u00e1lia Veludo, doutora em psicologia comportamental infantil especializado em amigos imagin\u00e1rios; L\u00edvia, educadora e m\u00e3e de Darah; Priscila, m\u00e3e de crian\u00e7as com amigos imagin\u00e1rios<\/em><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando a ma\u00e7aneta da porta girava, Cirilo sumia. 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