{"id":7056,"date":"2023-07-05T01:52:13","date_gmt":"2023-07-05T01:52:13","guid":{"rendered":"http:\/\/claro.webhostusp.sti.usp.br\/?p=7056"},"modified":"2023-09-07T23:21:09","modified_gmt":"2023-09-07T23:21:09","slug":"sem-rotulos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/2023\/07\/05\/sem-rotulos\/","title":{"rendered":"Sem R\u00f3tulos"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1300\" height=\"740\" src=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/sem-rotulos-1300x740-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-6975\" srcset=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/sem-rotulos-1300x740-1.png 1300w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/sem-rotulos-1300x740-1-640x364.png 640w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/sem-rotulos-1300x740-1-768x437.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1300px) 100vw, 1300px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O amor n\u00e3o tinha cor no in\u00edcio do relacionamento de Vin\u00edcius e Mariane Martins. Sequer passava pela cabe\u00e7a dela, uma mulher negra, as futuras conversas sobre interracialidade que viria a ter com o primeiro namorado. Essas conversas ainda acontecem, mesmo ap\u00f3s dois anos e meio de namoro.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No come\u00e7o, nomear as discord\u00e2ncias entre eles foi dif\u00edcil. Depois, Mariane e Vin\u00edcius se deram conta de que muitos dos problemas que enfrentavam no relacionamento estavam ligados ao fato de ela ser negra e ele branco.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A discuss\u00e3o sobre interracialidade permeou muitos \u00e2mbitos de conviv\u00eancia m\u00fatua do casal: as experi\u00eancias eram as mesmas, mas n\u00e3o as aten\u00e7\u00f5es. Mariane se preocupava mais com o julgamento de amigos e familiares. A fam\u00edlia dela, ali\u00e1s, ficou receosa com o fato de ela namorar um homem branco.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a pesquisadora em Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnicas e Contemporaneidade, Edilene Machado Pereira, essa preocupa\u00e7\u00e3o faz parte de uma subjetividade das mulheres negras. Ap\u00f3s pesquisar rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero, ra\u00e7a e afetividade, Edilene constatou que essas mulheres s\u00e3o preteridas e rejeitadas como parceiras amorosas: \u201cn\u00f3s somos trocadas pelas mulheres brancas porque elas t\u00eam um perfil mais aceito na sociedade. E isso tem implica\u00e7\u00f5es muito fortes que afetam o emocional, a autoestima, a sa\u00fade psicol\u00f3gica e a exist\u00eancia dessa mulher enquanto mulher negra\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mariane n\u00e3o se considera palmiteira, mas poderia ser rotulada dessa maneira na internet. Palmitagem \u00e9 uma palavra popularizada no Twitter para definir a rela\u00e7\u00e3o de homens e mulheres negras com pessoas brancas.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O termo \u00e9 criticado pelo casal e tamb\u00e9m pelo estudante Jo\u00e3o Gabriel, o JG. Por escolha pr\u00f3pria, o jovem passou anos sem se relacionar com mulheres brancas, mas acredita que o r\u00f3tulo empobrece o debate.  \u201cA palavra bloqueia muitas conversas que poder\u00edamos ter sobre outros aspectos da luta do povo preto\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele conta que, naquele momento da vida, optou por manter apenas rela\u00e7\u00f5es afrocentradas por acreditar que essa seria mais uma forma de se aliar \u00e0s lutas hist\u00f3ricas e sociais das mulheres negras. Edilene avalia como justific\u00e1vel e compreens\u00edvel essa escolha. Al\u00e9m disso, ela afirma que nos relacionamentos afrocentrados as pessoas negras est\u00e3o menos suscet\u00edveis a agress\u00f5es psicol\u00f3gicas e amorosas.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">JG voltou a se relacionar com mulheres brancas por acreditar que a afinidade e personalidade s\u00e3o mais importantes que a cor de pele. Edilene Pereira, assim como Mariane e Vinicius tamb\u00e9m mant\u00e9m rela\u00e7\u00f5es inter-raciais.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante das pr\u00f3prias experi\u00eancias, eles concluem que as rela\u00e7\u00f5es afrocentradas n\u00e3o s\u00e3o necessariamente melhores. S\u00e3o apenas escolhas e maneiras diferentes de viver uma rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O amor n\u00e3o tinha cor no in\u00edcio do relacionamento de Vin\u00edcius e Mariane Martins. Sequer passava pela cabe\u00e7a dela, uma mulher negra, as futuras conversas sobre interracialidade que viria a ter com o primeiro namorado. Essas conversas ainda acontecem, mesmo ap\u00f3s dois anos e meio de namoro. 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