{"id":7134,"date":"2023-09-13T16:10:28","date_gmt":"2023-09-13T16:10:28","guid":{"rendered":"http:\/\/claro.webhostusp.sti.usp.br\/?p=7134"},"modified":"2023-11-30T00:43:48","modified_gmt":"2023-11-30T00:43:48","slug":"resquicios-de-voce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/2023\/09\/13\/resquicios-de-voce\/","title":{"rendered":"resqu\u00edcios de voc\u00ea"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1300\" height=\"740\" src=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/capa-dallara-1300x740.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-7161\" srcset=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/capa-dallara-1300x740.png 1300w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/capa-dallara-640x364.png 640w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/capa-dallara-768x437.png 768w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/capa-dallara-1536x874.png 1536w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/capa-dallara-2048x1166.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1300px) 100vw, 1300px\" \/><figcaption><center>Arte: Adrielly Kilryann e Guilherme Castro<\/center><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEu n\u00e3o consigo <strong>doar<\/strong>. E se eu me arrepender?\u201d. Com a voz amorosa e emotiva, Aparecida Alvarenga, 46, conta porque mant\u00e9m o quarto e os itens da filha Sabrina, <strong>v\u00edtima<\/strong> de um acidente de carro aos 12 anos, h\u00e1 quase 20 anos. O medo de ceder e ter mais uma dor a motiva a <strong>guardar<\/strong> os m\u00f3veis e objetos, mesmo ap\u00f3s mudar de casa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A decis\u00e3o de manter o quarto de um ente querido intacto faz parte do processo de luto e depende do contexto da morte e do v\u00ednculo que o enlutado tinha com quem faleceu. A psic\u00f3loga especialista em luto Roberta Paz Barreto diz que \u201co apego ao quarto \u00e9 um s\u00edmbolo do que a pessoa falecida representava para o enlutado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entender a fun\u00e7\u00e3o do quarto para o enlutado \u00e9 importante para perceber se a manuten\u00e7\u00e3o faz parte do processo ou se est\u00e1 dificultando a continua\u00e7\u00e3o da vida. Guardar os resqu\u00edcios de Sabrina amenizam a saudade em Aparecida, sensa\u00e7\u00e3o que independe do contato ou da presen\u00e7a dos objetos.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sentimento similar \u00e9 vivido por Leniel Borel, 38, que entra diariamente no quarto do filho Henry, assassinado aos quatro anos de idade em 2021. O c\u00f4modo assumiu a fun\u00e7\u00e3o de um altar simb\u00f3lico, onde ele entra todo dia para honrar a mem\u00f3ria do filho. \u201cPela forma como perdi meu filho, \u00e9 muito dif\u00edcil doar esses objetos, t\u00eam uma mem\u00f3ria afetiva muito forte e me ajudam nesse clamor por justi\u00e7a\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De forma t\u00e9cnica, Roberta explica que o quarto pode ser um objeto transicional no processo de luto, ajudando o enlutado a ressignificar a vida. Ou seja, a cren\u00e7a de que \u00e9 preciso tirar de casa todos os itens de quem faleceu n\u00e3o funciona para todos. No luto, tudo \u00e9 incerto e varia em cada individualidade, em especial o tempo, porque \u00e9 um processo dual. A vida segue em frente, mas o sentimento volta em certos momentos.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caroline Navarrina, 30, vive esse processo desde que perdeu a m\u00e3e, S\u00f4nia, em 2021, aos 53 anos. Diferente de Leniel, para quem o quarto ainda representa um processo latente, ela acredita que o c\u00f4modo j\u00e1 cumpriu sua miss\u00e3o. Apesar disso, as fun\u00e7\u00f5es se assemelham: entre as paredes, ambos encontraram apoio emocional. Ap\u00f3s tr\u00eas meses intacto, o tempo mostrou que era hora de mudan\u00e7a. \u201cEu n\u00e3o queria virar o ano tendo que olhar para aquilo, me sentindo presa naquela dor\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Independente de qualquer fator, um v\u00ednculo n\u00e3o \u00e9 medido pelo apego a algo f\u00edsico, at\u00e9 porque doar os objetos n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de que a pessoa se esqueceu de quem se foi. Manter ou n\u00e3o o quarto ou uma recorda\u00e7\u00e3o \u00e9 a materializa\u00e7\u00e3o de uma saudade que \u00e9 imut\u00e1vel. Para Caroline, \u00e9 a tentativa de tornar menos latente uma presen\u00e7a que sempre ser\u00e1 ausente.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEu n\u00e3o consigo doar. E se eu me arrepender?\u201d. 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