{"id":7141,"date":"2023-09-13T16:09:21","date_gmt":"2023-09-13T16:09:21","guid":{"rendered":"http:\/\/claro.webhostusp.sti.usp.br\/?p=7141"},"modified":"2023-11-30T00:44:10","modified_gmt":"2023-11-30T00:44:10","slug":"menos-e-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/2023\/09\/13\/menos-e-mais\/","title":{"rendered":"menos \u00e9 mais?"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1300\" height=\"740\" src=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/minimalismo1_capa.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7155\" srcset=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/minimalismo1_capa.jpg 1300w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/minimalismo1_capa-640x364.jpg 640w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/minimalismo1_capa-768x437.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1300px) 100vw, 1300px\" \/><figcaption><center>Arte: Adrielly Kilryann e Guilherme Castro<\/center><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um inc\u00eandio fez Patr\u00edciah Froner perceber que tinha coisas demais. Ao separar doa\u00e7\u00f5es para uma fam\u00edlia que perdeu a casa para as chamas, a educadora financeira se assustou: ela havia abarrotado um carro com itens que guardava h\u00e1 anos, sem utilizar. A partir de ent\u00e3o, Patr\u00edciah come\u00e7ou a pesquisar sobre o <strong>minimalismo<\/strong> \u2013 estilo de vida baseado em consumir apenas o essencial. Hoje, tem poucas roupas, muitas de fabrica\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria. Apenas em \u00faltimo caso compra algo novo, sempre em brech\u00f3s. Luci R\u00fabia \u00e9 outra adepta dessa filosofia. A professora de ingl\u00eas doa tudo o que n\u00e3o usa e questiona o sentido de trabalhar para sustentar <strong>h\u00e1bitos consumistas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tanto Patr\u00edciah quanto Luci sentem que comprar menos tornou a vida mais leve. Essa \u00e9 uma premissa do minimalismo. Originado em Nova Iorque, na d\u00e9cada de 1960, ele surgiu como um movimento art\u00edstico que valorizava uma est\u00e9tica austera. Mais tarde, o conceito mudou para o campo social, como sin\u00f4nimo de uma vida simples.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A tend\u00eancia gera cr\u00edticas: de acordo com o neurocientista \u00c1lvaro Machado Dias, a est\u00e9tica de casas com pouqu\u00edssimos adornos prejudica o c\u00e9rebro, j\u00e1 que os est\u00edmulos visuais fomentam a capacidade reflexiva. Na aus\u00eancia deles, h\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de des\u00e2nimo, ao passo que informa\u00e7\u00f5es em excesso causam ansiedade. Por\u00e9m, segundo Patr\u00edciah e Luci, uma casa minimalista n\u00e3o precisa ser vazia e entediante: apenas deve-se evitar o exagero de objetos.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 Kyle Chayka, autor do livro <em>The Longing for Less: Living with Minimalism, <\/em>chama aten\u00e7\u00e3o para o fato de que o estilo de vida em quest\u00e3o adquiriu fei\u00e7\u00f5es elitistas, sobretudo em pa\u00edses ricos, onde o consumo material deixou de ser um forte marcador de classe. Embora grande parte da popula\u00e7\u00e3o abastada ainda expresse seu poder aquisitivo por meio de bens materiais, h\u00e1 uma parcela da elite que agora nada contra a mar\u00e9 e consome menos. Assim, o movimento virou sin\u00f4nimo de eleg\u00e2ncia e est\u00e1 sendo comercializado para esse p\u00fablico endinheirado. Basta pesquisar o termo na internet para se deparar com casas e m\u00f3veis na est\u00e9tica \u2013 cujos pre\u00e7os nada t\u00eam de minimalistas.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fora do contexto descrito por Kyle, o movimento ganha outros sentidos. \u00c9 o caso do Brasil, onde ele n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o atrelado aos super-ricos e abarca a classe m\u00e9dia. Patr\u00edciah e Luci, por exemplo, veem a tend\u00eancia mais como uma forma de poupar gastos do que como uma est\u00e9tica elegante. Para elas, o estilo de vida nada tem a ver com elitismo. Mas, claro, s\u00f3 pode se desapegar do sup\u00e9rfluo quem tem dinheiro para compr\u00e1-lo. Seja onde for, o minimalismo nem sempre funciona para aqueles que j\u00e1 t\u00eam pouco.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um inc\u00eandio fez Patr\u00edciah Froner perceber que tinha coisas demais. Ao separar doa\u00e7\u00f5es para uma fam\u00edlia que perdeu a casa para as chamas, a educadora financeira se assustou: ela havia abarrotado um carro com itens que guardava h\u00e1 anos, sem utilizar. 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