{"id":7826,"date":"2024-09-18T21:17:43","date_gmt":"2024-09-18T21:17:43","guid":{"rendered":"https:\/\/claro.webhostusp.sti.usp.br\/?p=7826"},"modified":"2024-11-01T20:37:16","modified_gmt":"2024-11-01T20:37:16","slug":"desvendando-sinais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/2024\/09\/18\/desvendando-sinais\/","title":{"rendered":"desvendando sinais"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1300\" height=\"740\" src=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/SITE-11-1300x740.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-7827\" srcset=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/SITE-11-1300x740.png 1300w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/SITE-11-640x364.png 640w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/SITE-11-768x437.png 768w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/SITE-11-1536x874.png 1536w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/SITE-11-2048x1166.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1300px) 100vw, 1300px\" \/><figcaption>Arte: Billie C. Fernandes<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando crian\u00e7a, Alexandre tinha o cabelo comprido at\u00e9 os ombros, o rosto era liso e a voz oscilava em agudos. Um dia, andando pelos corredores labir\u00ednticos de um mercado, ele procurava por macarr\u00e3o. Decidiu abordar uma funcion\u00e1ria, mas foi ela a perguntar primeiro: &#8221;Nossa, voc\u00ea \u00e9 um menino ou uma menina!?&#8221;. &#8221;Tenho doze anos&#8221;, respondeu.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s 32 anos, hoje psiquiatra e diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Alexandre Valverde relembra o epis\u00f3dio. Como neurodivergente, n\u00e3o decifrou a mal\u00edcia no questionamento da mulher. Depois, at\u00e9 ensaiou boas respostas, mas j\u00e1 era tempo perdido.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para ele e para alguns de seus pacientes autistas, ler express\u00f5es faciais, captar inten\u00e7\u00f5es e decodificar uma mensagem s\u00e3o entraves em di\u00e1logos. \u201cEnquanto neurot\u00edpicos veem o sorriso que a pessoa deu, observo a piscada, a mexida no cabelo, a co\u00e7ada na cabe\u00e7a\u2019\u2019, relatou. \u00c9 uma avalanche de informa\u00e7\u00f5es que invade suas mentes. O psiquiatra esclarece que o excesso dificulta reconhecer o que \u00e9 relevante para entender uma sutileza da comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sentimento de tamb\u00e9m n\u00e3o serem compreendidos parece ser uma realidade. H\u00e1 os que relatam n\u00e3o conseguir mostrar de forma coerente o que sentem. \u201c\u00c0s vezes em uma situa\u00e7\u00e3o de tens\u00e3o, ao inv\u00e9s de chorar ou ficar irritado, eu gargalho\u2019\u2019, fala Alexandre. A incongru\u00eancia entre uma express\u00e3o e como ela \u00e9 lida socialmente pode gerar ru\u00eddos em intera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Crian\u00e7as autistas enfrentam a incompreens\u00e3o de forma ainda mais intensa. Rafael Ganzer, pai de dois filhos com autismo, conta que o filho de 4 anos costuma apontar para figuras e objetos para manifestar seus desejos. Quando o pai altera o trajeto de volta da escola para casa, gritar e bater s\u00e3o as primeiras rea\u00e7\u00f5es do menino para dizer que desaprova a mudan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas dificuldades sociais est\u00e3o relacionadas a anatomia at\u00edpica do c\u00e9rebro de pacientes do Espectro. \u00c9 o que diz um estudo de imagens cerebrais feito por Monica Zilbovicius, psiquiatra e pesquisadora do Instituto Nacional da Sa\u00fade e da Pesquisa M\u00e9dica da Fran\u00e7a, em 2004.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A altera\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais especificamente no lobo temporal, pr\u00f3ximo \u00e0s orelhas. A m\u00e9dica explica que a regi\u00e3o \u00e9 essencial para percep\u00e7\u00e3o de est\u00edmulos sociais. Os exames, no entanto, perceberam que as fun\u00e7\u00f5es dessa zona do c\u00e9rebro em volunt\u00e1rios autistas s\u00e3o afetadas devido ao baixo consumo de energia entre liga\u00e7\u00f5es de neur\u00f4nios e a uma menor quantidade de massa cinzenta.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre erros e acertos, Rafael precisou aprender a ler os filhos, e teve dificuldades principalmente com o primeiro. Agora, durante as crises do menor, ele se ajoelha, olha em seus olhos, o abra\u00e7a at\u00e9 que se acalme e acolhe o que est\u00e1 sendo expresso.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando crian\u00e7a, Alexandre tinha o cabelo comprido at\u00e9 os ombros, o rosto era liso e a voz oscilava em agudos. 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