{"id":8203,"date":"2024-12-01T00:05:54","date_gmt":"2024-12-01T00:05:54","guid":{"rendered":"https:\/\/claro.webhostusp.sti.usp.br\/?p=8203"},"modified":"2025-05-07T11:27:09","modified_gmt":"2025-05-07T11:27:09","slug":"jogo-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/2024\/12\/01\/jogo-da-vida\/","title":{"rendered":"Jogo da vida"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1300\" height=\"740\" src=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CAPA-O-QUE-E-FELICIDADE-1-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-8204\" srcset=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CAPA-O-QUE-E-FELICIDADE-1-1.png 1300w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CAPA-O-QUE-E-FELICIDADE-1-1-640x364.png 640w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CAPA-O-QUE-E-FELICIDADE-1-1-768x437.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1300px) 100vw, 1300px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size wp-block-paragraph\">Ilustra\u00e7\u00e3o: Julia Moreira | Diagrama\u00e7\u00e3o: Ingrid Gonzaga<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na inf\u00e2ncia, felicidade era ir ao clube aos domingos, andar a cavalo e viajar em fam\u00edlia. N\u00e3o tinha qualquer no\u00e7\u00e3o de finitude. Quando adolescente, passei a me sentir infinito, cheio de possibilidades, e ao mesmo tempo tinha muito medo da vida. Era feliz ao fazer coisas pela primeira vez: o primeiro encontro, o primeiro beijo, o primeiro emprego.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aos 20 anos, tudo mudou: s\u00f3 sabia sentir infelicidade. Achava que n\u00e3o tinha feito nada e olhava apenas para meu pr\u00f3prio umbigo. Era \u201cporra louca\u2019\u2019, bebia muito e usava drogas. Fazia tudo isso porque tinha um buraco imenso no peito, com medos e ang\u00fastias. Eu nem procurava a felicidade, s\u00f3 estava lutando para tentar me encontrar no vazio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com 27, conheci a minha esposa. Foi um grato encontro e uma bela surpresa em meio ao caos. Nosso relacionamento foi um marco, diferente de tudo que tinha vivido. Tive vontade de construir coisas ao lado dela, ter um lar, com filhos, cachorros e gatos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir dos 30, fiquei mais consciente, \u201cvivido\u2019\u2019. Dos 30 aos 40 anos, tive os meus dois filhos e a paternidade foi uma explos\u00e3o de felicidade na minha vida. Eu nunca fui um pai muito s\u00e1bio, aprendi a maioria das coisas com os meninos, sempre buscando melhorar por eles. Perto dos 50, dei outra grande virada: parei de beber e tomei controle novamente da minha vida.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, com 63 anos, a felicidade \u00e9 uma filosofia de vida. Fico feliz quando tiro uma fotografia, encontro uma meia perdida e tenho uma boa conversa. Gosto de sentir a brisa, tomar sol, observar uma \u00e1rvore. Aprecio como ela se mexe com o vento e amanh\u00e3 ela vai estar l\u00e1, depois de novo e de novo.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Aprendo isso com a minha m\u00e3e de 86 anos. Ela canta nos corredores do hospital mesmo com c\u00e2ncer nos pulm\u00f5es e sabendo que n\u00e3o h\u00e1 cura. N\u00f3s brincamos com a morte o tempo todo, at\u00e9 planejamos uma festa com as tias que j\u00e1 se foram. A finitude da vida me faz manter a alegria \u00e0 vista. Ent\u00e3o, a felicidade \u00e9 aproveitar o dia de hoje, e mesmo viver com simplicidade d\u00e1 trabalho.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cartas de dicas\/especiais\/de especialista &#8211; Ravena Olinda, professora de filosofia da FFLCH<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A felicidade n\u00e3o \u00e9 encontrada, ela \u00e9 constru\u00edda. \u00c9 singular, particular e intransfer\u00edvel, embora possa ser compartilhada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A felicidade tem mais a ver com se conhecer, entender as pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es, ver como sua exist\u00eancia faz diferen\u00e7a e criar um sentido para que voc\u00ea esteja e queira estar aqui.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A felicidade, na perspectiva de Baruch de Espinosa, \u00e9 um conhecimento, um reconhecimento de si como parte finita de um todo infinito.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: Julia Moreira | Diagrama\u00e7\u00e3o: Ingrid Gonzaga Na inf\u00e2ncia, felicidade era ir ao clube aos domingos, andar a cavalo e viajar em fam\u00edlia. 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