{"id":997,"date":"2016-06-19T14:17:03","date_gmt":"2016-06-19T14:17:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.usp.br\/claro\/?p=997"},"modified":"2016-08-31T03:28:17","modified_gmt":"2016-08-31T03:28:17","slug":"olho-no-lance","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/claro.eca.usp.br\/index.php\/2016\/06\/19\/olho-no-lance\/","title":{"rendered":"Olho no lance"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">A bola vai rolando no gramado, os jogadores atr\u00e1s. Tr\u00eas lutam pela posse, outros dois mais distantes se preparam para receb\u00ea-la. O outro time intercepta. Na arquibancada, a torcida levanta e grita. O barulho, inversamente proporcional \u00e0 dist\u00e2ncia entre a bola e o gol, \u00e9 cada vez maior. Em meio ao alvoro\u00e7o, um \u00fanico integrante com a vestimenta de cor diferente e apito no pesco\u00e7o, corre para observar o lance. O atacante se prepara para chutar, mas \u00e9 derrubado. O juiz apita. \u201cEi, juiz, vai tomar no cu!\u201d<\/span><\/p>\n<p><strong><strong>\u00a0<\/strong><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dentro de um sal\u00e3o, parado, olhando para a bolinha que saltita freneticamente de um lado para o outro at\u00e9 que um dos jogadores golpeia o ar com a raquete e o jogo para. Tem o dever de olhar fixamente a repeti\u00e7\u00e3o at\u00e9 que chegue o 11\u00ba ponto do set. Manter a aten\u00e7\u00e3o no t\u00eanis de mesa n\u00e3o \u00e9 para qualquer um, afinal, n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a modalidade n\u00e3o \u00e9 conhecida por ter torcidas alvoro\u00e7adas &#8212; ou qualquer torcida. No xadrez \u00e9 a mesma coisa, mas o inconveniente \u00e9 outro. Na maior parte do tempo, parece que nada acontece. Podem passar minutos at\u00e9 que uma pe\u00e7a seja movimentada no tabuleiro.<\/span><\/p>\n<p><strong><strong>\u00a0<\/strong><\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-medium wp-image-998 aligncenter\" src=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/campo-de-futebol-640x400.jpg\" alt=\"campo-de-futebol\" width=\"640\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/campo-de-futebol-640x400.jpg 640w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/campo-de-futebol-1200x750.jpg 1200w, https:\/\/claro.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/campo-de-futebol.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Conhecedor do jogo melhor que ningu\u00e9m, corre tanto quanto o jogador de futebol, mant\u00e9m a concentra\u00e7\u00e3o de um atleta de t\u00eanis de mesa, mas nem um trof\u00e9u almeja. Arbitrar definitivamente n\u00e3o est\u00e1 entre os of\u00edcios de maior apelo no universo esportivo. \u201cMe tornei \u00e1rbitro mais por necessidade, por falta de gente que tinha ambi\u00e7\u00e3o ou vontade de ser\u201d, confirma um dos maiores nomes do xadrez mundial, Herman Claudius. Para ele, que j\u00e1 competiu nos principais campeonatos do mundo, a arbitragem \u00e9 s\u00f3 mais uma das atividades relacionadas ao esporte \u00e0 qual se dedica.<\/span><\/p>\n<p><strong><strong>\u00a0<\/strong><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao final da coluna da p\u00e1gina de Esportes do Estad\u00e3o em 6 de fevereiro de 99, de sua autoria, era anunciado o curso de arbitragem da modalidade que o pr\u00f3prio autor ministraria no final do m\u00eas. A coluna de xadrez, publicada todos os s\u00e1bados, chegaria ao seu fim dois anos depois, ao contr\u00e1rio da carreira em arbitragem, que ainda contaria com campeonatos como a final do mundial, em 2005.<\/span><\/p>\n<p><strong><strong>\u00a0<\/strong><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O convite para arbitrar geralmente envolve viagens e dias de dedica\u00e7\u00e3o completa. O clima de amizade com outros \u00e1rbitros \u00e9 o que encoraja Maurel Luchiari, t\u00e9cnico de t\u00eanis de mesa, que arbitra jogos h\u00e1 20 anos. \u201cNa viagem \u00e9 s\u00f3 falando de t\u00eanis de mesa, sobre cada jogador. Na volta, \u00e9 sempre comentando o que cada um fez e o que n\u00e3o fez, trocando experi\u00eancias.\u201d<\/span><\/p>\n<p><strong><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400;\">A remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 baixa. A carga hor\u00e1ria, n\u00e3o. Mesmo assim, para Herman, o trabalho j\u00e1 foi significativo complemento em sua renda. \u201cSer jogador de xadrez n\u00e3o \u00e9 tao simples, as pessoas n\u00e3o conseguem viver s\u00f3 de premia\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o voc\u00ea acaba buscando alternativas e a arbitragem \u00e9 uma delas.\u201d O primeiro a chegar no sal\u00e3o termina\u00a0<\/span><\/strong>a jornada com o aperto de m\u00e3o dos jogadores ap\u00f3s a \u00faltima rodada do dia. Fim de papo.<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A bola vai rolando no gramado, os jogadores atr\u00e1s. Tr\u00eas lutam pela posse, outros dois mais distantes se preparam para receb\u00ea-la. O outro time intercepta. Na arquibancada, a torcida levanta e grita. O barulho, inversamente proporcional \u00e0 dist\u00e2ncia entre a bola e o gol, \u00e9 cada vez maior. 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